Em 50 anos, Super Bowl passa de jogo a evento milionário
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sábado, 03 de fevereiro de 2018
Eduardo Geraque<br>Folhapress 
São Paulo - Os números cada vez mais superlativos no comércio, na audiência da televisão e nos negócios que envolvem o jogo transformaram, durante as últimas cinco décadas, uma simples partida de futebol americano no maior evento esportivo de um dia único da humanidade.
Em 1967, no primeiro Super Bowl da história (a partida reúne os campeões das duas conferências do futebol americano), o Los Angeles Memorial Coliseum, com 90 mil lugares, tinha 35 mil assentos vazios. O preço médio do ingresso era US$ 67, em valores corrigidos para 2018.
No domingo (4), na partida entre Philadelphia Eagles e New England Patriots, às 21h30 pelo horário de Brasília, os mais de 66 mil lugares do estádio US Bank, em Minneapolis, estarão cheios. O preço médio do ingresso, apesar de poucos bilhetes serem vendidos ao público em geral (a maioria é distribuída aos times, patrocinadores e demais clientes corporativos), é de US$ 5.680.
Segundo pesquisa da Universidade da Pensilvânia, se o comercial de 30 segundos custava em média US$ 368 mil em 1984, ele valorizou desde então 11,65% ao ano. A estimativa é que os 30 segundos mais caros da televisão, que vão ao ar no domingo, custam US$ 5 milhões. A audiência televisiva também segue o mesmo ritmo. Estimativas conservadoras dão conta de que o jogo é visto por pelo menos 200 milhões de pessoas em todo o mundo, contra 100 milhões em meados dos anos 1980.
Apesar de integrar o hall dos grandes feriados dos EUA, como o 4 de Julho e o Dia de Ação de Graças (que fica na frente do Super Bowl em consumo de gêneros alimentícios), o evento da NFL não é unanimidade entre acadêmicos e jornalistas. A mídia muitas vezes critica o nível técnico do espetáculo. Diz que o jogo é amarrado ou desigual, com poucas exceções, caso de 2017, quando, pela primeira vez, o campeão saiu após a disputa da prorrogação.
Também se discute a elitização do espetáculo, sendo o futebol um esporte muito popular. Para pesquisadores,o Super Bowl estimula o consumismo e o enriquecimento exagerado de entidades como a própria NFL. E não oferecem muitas contrapartidas para as cidades sedes.


