A Copa da França foi a última ‘‘Copa dos pobres’’, com transmissão gratuita pela televisão. Já faz algum tempo que o torcedor não tem condições financeiras de assistir aos jogos nos estádios. Até então, ele podia segui-los pela TV. Em 2002 tudo será diferente. A Fifa tem fome de dinheiro e as emissoras de televisão podem esquecer as amplas margens de lucro obtidas nesse último mundial. O novo presidente da Fifa, Joseph Blatter, já anunciou: ‘‘A partir de 2002, as televisões terão de pagar o preço justo, isto é, o preço forte para a retransmissão dos jogos’’.
Até agora, os direitos de retransmissão cobrados não correspondiam à realidade, mas a Fifa cedeu esses direitos pela soma de US$ 2 bilhões ao grupo alemão Kirch e à empresa suíça ISL. Dessa forma, os concessionários pretendem negociar esses direitos país por país. Na França, o preço justo dos direitos de retransmissão para a decisão da próxima Copa seria de cerca de US$ 100 milhões, contra apenas US$ 10 milhões pagos para o Mundial de 98. Quase 40 bilhões de telespectadores em audiência acumulada assistiram à Copa da França.
O principal problema para os europeus é o da rentabilidade da próxima Copa. Isto porque os europeus terão que levantar muito cedo para assistir às partidas - por volta das 5 horas da manhã. Neste horário, dificilmente a Copa será um evento de grande rentabilidade como a que terminou domingo. A emissora TF1 faturou mais de US$ 10 milhões em receita publicitária nas duas horas do jogo decisivo entre Brasil e França.
Como as emissoras abertas poderão ter dificuldade em comercializar o evento, os dirigentes da ISL estão dispostos a contatar as emissoras fechadas, a cabo, adotando o sistema ‘‘pay per view’’ e autorizando as emissoras abertas a retransmitir posteriormente as imagens, mas reduzindo a audiência. Esse sistema já está sendo contestado, pois poderá diminuir a emoção, o suspense e o interesse do público. Além disso, o acesso restrito não é considerado adaptado a um evento de tal importância.

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