Em 2002, festa oriental
A recente crise econômica na Ásia não vai afetar a realização da Copa do Mundo de 2002, a primeira organizada por dois países, Japão e Coréia do Sul. O orçamento foi detalhado há mais de dois anos, quando os problemas financeiros não eram graves, disse Saburo Kawabuchi, vice-presidente da Associação de Futebol do Japão. Como contamos com o apoio do governo, não há risco de os números serem modificados.
A garantia de investimentos dos governos japonês e sul-coreano foi uma das exigências da Fifa, temerosa por eventuais problemas provocados pela crise financeira, como uma desistência. O dinheiro será empregado basicamente na construção e remodelação de estádios, que é a obrigação mais custosa. Para isso, já temos o comprometimento do governo coreano, garantiu Seh-Jik Park, presidente do comitê organizador da Coréia do Sul. Temos quatro anos para nos recuperarmos financeiramente.
Convencida da possibilidade de realização conjunta do torneio, a Fifa oficializou no final de semana a competição. O novo presidente da entidade, Joseph Blatter, garantiu, porém, que a Fifa não vai participar financeiramente da organização. Não há nenhuma possibilidade de ser feito um empréstimo aos dois países, disse o dirigente.
Blatter disse que a abertura da Copa acontecerá na Coréia, no dia 13 de julho. A final será disputada no Japão, provavelmente no estádio de Yokohama, o maior do país (70 mil lugares). O número de 32 participantes está mantido, com 16 ficando em cada país. Mas o período de disputa poderá ser menor que o da Copa da França, que foi de 33 dias.
Arquivo FolhaJoseph BlatterUm problema delicado que ainda não foi resolvido é como será disputada a fase de eliminatórias. Como os dois países organizadores têm vaga garantida, além do campeão do Mundial da França, sobram 29 vagas em disputa. Ainda não estudamos como será feita a distribuição dessas vagas, afirmou Blatter.
Os organizadores da Coréia do Sul ainda aguardam resposta do governo da Coréia do Norte sobre a possibilidade de sediar um ou dois jogos. A medida seria uma forma de apressar a unificação dos países. Blatter garantiu, porém, que a decisão final cabe à Fifa. Esperamos um entendimento entre os países para depois ratificarmos, comentou. Mas só aceitaremos se a Coréia for unificada.
Apesar do clima fraterno, uma velada disputa sobre a melhor organização divide japoneses e coreanos. O comitê do Japão, por exemplo, promete a construção de estádios avançados tecnologicamente. Como o da cidade de Sapporo, onde um novo mecanismo consegue transportar o gramado de uma área coberta para outra descoberta. Ou o de Oita, equipado com uma cobertura móvel.
Os coreanos respondem com a promessa de uma reestruturação nos meios de transporte, com a construção de aeroportos e linhas férreas. As distâncias entre Japão e Coréia serão menores que a percorridas nos Estados Unidos, disse Park. Será mais fácil ir de Seul a Tóquio do que foi entre Nova York e Los Angeles.
2006 A Copa de 2006 volta a ser disputada em um único país, anuncia Joseph Blatter, o novo presidente da Fifa. Se for seguida a lógica do rodízio, completa Blatter, a sede será em um país africano, já que a de 94 foi na América, a Europa ficou com 98 e a Ásia fará a Copa de 2002. Mas isso só prevalecerá se um país africano demonstrar ter estrutura técnica suficiente, avisa Blatter.
Quatro países africanos já anunciaram a intenção de organizar a Copa-2006 (Egito, Marrocos, Nigéria e África do Sul). Estão na fila Brasil e Argentina (América) e Inglaterra e Alemanha (Europa). Blatter listou as 11 prioridades de sua gestão. As principais, além da Copa de 2002, são:
1 - Saúde do futebol. A Fifa pretende intensificar o projeto batizado de F-Marc, iniciais em inglês para Fifa mais Centro de Pesquisa de Avaliação Médica. Blatter atribui ao F-Marc o banimento do carrinho por trás, que ele acredita ter sido obtido na Copa deste ano.
2 - A criação de um centro internacional de estudos do esporte, patrocinado pela universidade suíça de Neuchatel. Dará direito, inicialmente, a um diploma normal, mas, no futuro, haverá doutorado em futebol, a certidão de nobreza do esporte, diz Blatter.
3 - Diálogo com as autoridades governamentais, para evitar interferência política no futebol. Blatter diz que o foco central será a União Européia, em alusão à legislação que beneficia os jogadores, atropelando as regras da Fifa.
4 - Relacionamento com as outras organizações do esporte, em especial o COI (Comitê Olímpico Internacional). A Fifa sabe que o COI gostaria que o torneio olímpico de futebol se transformasse em uma segunda Copa do Mundo. Mas, para a Olimpíada de 2000, em Sydney (Austrália), será mantido o sistema atual, limitado a jogadores de até 23 anos com direito a apenas três além dessa idade.
5 - Problemas ligados aos direitos de transmissão da Copa pela TV. Blatter diz que o princípio é o de manter o futebol ao alcance de todos, ou seja, evitar que as TVs a cabo ou pagas monopolizem as transmissões. Mas já avisa que é impossível que todos os jogos sejam transmitidos ao vivo e de graça (para o público) pelas TVs abertas.
6 - Estudar o que Blatter chama de tendência de independência de certas entidades nacionais e de certos clubes, que querem eventualmente sair da grande pirâmide hierárquica que é a Fifa. Alusão ao fato de que há crescente número de clubes, em especial na Europa, que querem fazer do futebol um jogo regido unicamente pelo mercado.France PresseSimpatiaAs simpáticas coreanas vão ver em casa a abertura da próxima CopaDas agências





