Elogiado por Marcelinho, Edílson reclama de Luxemburgo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de maio de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 23 (AE) - Não faltaram motivos para comemoração nos vestiários do Corinthians. O aniversário de Ricardinho (que hoje completou 23 anos), o segundo gol da carreira de Amaral, a confirmação do trabalho do técnico Oswaldo de Oliveira (que soube armar a equipe para a goleada com um jogador a menos e foi elogiado por todos os jogadores), os três gols e a reabilitação emocional de Marcelinho Carioca... Mas o jogador mais festejado por todos foi Edílson, que desequilibrou a partida. "Eu tenho que tirar o chapéu para o Edílson: o neguinho é fora de série, afirmou Marcelinho.
Curiosamente, o atacante de 28 anos não compartilhava da euforia dos demais. Pelo contrário. Edílson encontrou motivos para reclamar. Ele não se conforma com o fato de não receber uma chance na seleção brasileira. "O Wanderley (Luxemburgo) não me convoca, não tem jeito, disse, desiludido. "É duro você trabalhar sem esperanças e ver que vários jogadores que não têm as mesmas condições que eu tenho serem chamados.
Edílson entende que é vítima de perseguição. Luxemburgo, que já teve vários problemas de relacionamento com ele, costuma dizer que Edílson é um de seus cabelos brancos, ao lado de Romário, Edmundo, Djalminha e Marcelinho. "Acho que aí está a explicação. O craque corintiano disse que hoje é um jogador maduro, cumpridor das orientações táticas de seus treinadores. "Estou fazendo tudo o que Oswaldo quer; jogando para o time.
Ele só relaxou ao analisar a atuação do Corinthians como um todo. "Bem descansada e confiante, essa equipe é capaz de detonar qualquer adversário.
Para Marcelinho, o outro herói do jogo, o segredo do Corinthians "é ter voltado a jogar um futebol coletivo e solidário. O meia vibrou com sua atuação, que, segundo ele, prova que os problemas pessoais não o estão afetando. Marcelinho
que está se separando de sua mulher Ana Cristina, fez questão de batizar dois de seus gols: Pri e Pijaminha. "Vocês vão entender depois, disse, enigmático.
Marcelinho festejou muito também o seu melhor amigo no Corinthians e companheiro num grupo de pagode gospel, o volante Amaral, que hoje marcou o segundo gol de sua carreira. O outro havia sido feito na Taça Libertadores de 95, numa goleada de 5 a 1 do Palmeiras sobre o Grêmio.
"Eu quero assistir o gol pela TV para ver se é verdade, se a bola entrou mesmo, afirmou Amaral. "Chutei tão forte que machuquei o tornozelo: está doendo muito. O técnico Oswaldo de Oliveira se deliciava com as declarações de seus jogadores. Segundo ele, a goleada dará novo ânimo ao time. "Estamos no caminho certo e a classificação foi meticulosamente planejada: vamos com tudo para tentar a conquista!, afirmou, ressaltando a solidariedade de seus atletas.
A única preocupação do treinador é o desgaste da equipe. "O Corinthians e, principalmente, o Palmeiras vêm de uma sequência de jogos muito dura; os times que estavam jogando semanalmente, como o São Paulo, têm um lastro de distância sobre a gente, disse.


