Eles também são atletas de seleção brasileira e disputaram a Olimpíada de Atenas, assim como os astros da equipe de vôlei de Bernardinho ou as estrelas da seleção feminina, dirigida por José Roberto Guimarães. Porém, um abismo os separa quando o assunto é salário, patrocínio, espaço na mídia e apoio oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). ''Eles'' são os atletas de ponta do taekwondo brasileiro, que treinam em Londrina desde o ano passado com o técnico Fernando Madureira.
Diferente da maior parte dos atletas olímpicos, os lutadores do taekwondo enfrentam dificuldades não imaginadas pelos demais. Não recebem salário e, para competir, muitas vezes têm que pagar as viagens do próprio bolso, pois a verba de patrocínio é minguada. A confederação que representam (CBTkd) ainda está engatinhando no cenário nacional e por isso não goza do prestígio que têm junto ao COB as outras confederações mais fortes, como a de vôlei (CBV) ou de ginástica (CBG).
No entanto, o taekwondo já vem trazendo resultados expressivos para o Brasil nas competições internacionais. Um exemplo é a medalha de ouro da paranaense Natália Falavigna (até 72 kg) no último Mundial da Espanha, que lhe rendeu o título de atleta do ano do COB, em dezembro de 2005. O sucesso de Natália, 20 anos, que sempre treinou em Londrina e está de volta à cidade após uma temporada com a equipe de Campinas, aliada à estruturação aqui de uma equipe adulta de ponta, tem atraído para Londrina lutadores de todos os cantos do Brasil.
Dois dos três representantes do Brasil em Atenas estão se preparando aqui para os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007: uma é a própria Natália e o outro é o paulista Diogo Silva (até 67 kg), 23, medalha de bronze no Pan de Santo Domingo-2003. Ambos foram semifinalistas na Grécia terminaram em 4º lugar em suas categorias. O outro brasileiro que esteve na Olimpíada, Marcel Wenceslau (até 58 kg), treina em São Paulo.
Além de Natália e Diogo, outros oito atletas convocados com frequência para a seleção brasileira estão morando na cidade em uma república mantida pela equipe Madureira de TKD. O primeiro a chegar, em meados de 2004, foi o pernambucano Gilvan Santos, 28, que foi reserva de Wenceslau nos Jogos de Atenas. Ele era atleta da Academia Lim Campeões, de Belo Horizonte, e após três títulos brasileiros na categoria até 54 kg, decidiu vir para Londrina ''para poder treinar aqui com atletas do mesmo nível técnico''.
Depois dele vieram as também pernambucanas Tâmara Ferreira (até 47 kg), 17, de Olinda, e Astiane Pereira (até 63 kg), 22, de Recife. Tâmara, que é pentacampeã brasileira, foi vice-campeã mundial juvenil, na Grécia, e campeã pan-americana no ano passado, em Aruba (Caribe).
Tâmara conta que decidiu aceitar o convite de vir para Londrina para poder treinar em conjunto. ''Sinto muita saudade de casa e abdiquei de muitas coisas para poder crescer no esporte. Lá em Pernambuco o meu treinamento era muito individualizado e não iria evoluir muito, porque o meu técnico, que é advogado, dava aula nas horas de folga. Daí faltavam referências. Já aqui somos uma equipe'', comparou Tâmara.
Depois dela vieram Diogo Silva e outros dois atletas que treinavam com ele na Ponte Preta, de Campinas: Nicolas Pigozzi, 19, e Washington Marcelino, 18. Na sequência, chegaram à república Breno Pinheiro, 19 (de Rondônia), Atílio Cecato, 23 (Cascavel), e Gilmei Norando, 18 (Dois Vizinhos).

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