Áureo Nogueira
De Londrina
O atraso de Elisângela Almeida de Oliveira, 20 anos, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos e vice-campeã do Gran Prix de Vôlei (versão feminina da Liga Mundial) frustrou dezenas de pessoas – principalmente crianças e adolescentes – que foram recepcioná-la ontem à noite no Aeroporto de Londrina. Mas não tirou o entusiasmo de ninguém.
Depois dos 45 dias fora do Brasil para a disputa do Pan (em Winnipeg, Canadá) e do Gran Pix (na Ásia), a delegação brasileira de vôlei chegou a São Paulo ontem por volta das 17 horas. Elisângela embarcaria para Londrina às 18h30, mas acabou perdendo o vôo por conta da recepção e das entrevistas na capital paulista.
Logo depois de ajudar a seleção brasileira a ganhar a medalha de ouro no Pan-Americano, no início do mês, Elisângela ligou para a família e revelou que queria uma festa no seu retorno a Londrina. A família prometeu atender ao pedido da campeã. E cumpriu.
A mãe Elita e o pai, Carmelindo Basílio de Oliveira, parentes, vizinhos e amigos, além de dezenas de crianças e adolescentes – em especial estudantes do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, onde Elisângela estudou o 1º grau, da Escolinha de Voleibol do Grêmio Londrinense e do Projeto de Iniciação no Vôlei, do qual ela é madrinha – foram ao aeroporto esperar pela jogadora.
Pouco depois das 19 horas, dona Elita anunciou que Elisângela telefonou avisando que só chegaria no vôo das 23h30. Houve um sentimento geral de frustração. Mas ninguém perdeu o entusiasmo. Antes de voltarem para casa, as crianças cantaram e dançaram ao som da banda Municipal.
Depois de tirar fotos com a mãe e o pai de Elisângela, o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), desculpou-se por não poder esperar, alegando outros compromissos. E convidou a campeã para uma recepção na Prefeitura, hoje às 11 horas. ‘‘O talento e a conquista desta moça merecem que passemos a noite toda aguardando sua chegada. Mas lamentavelmente tenho outros compromissos’’, disse Belinati.
Dezenas de pessoas, porém, não arredaram o pé do saguão de embarque e desembarque do aeroporto. ‘‘Vamos esperá-la o tempo necessário. Esta menina vale ouro’’, disse Francisco Roberto Rocha, 31 anos, vizinho da família de Elisângela, que queimou a buzina do seu carro na carreata da noite em que Elisângela fez o último ponto contra a seleção cubana e garantiu a medalha de ouro para o Brasil no Canadá.
Em entrevista à Folha no dia seguinte, o vizinho disse que iria consertar a buzina para a festa de ontem. E consertou. ‘‘Esta é nova e vai resistir ainda a muitas outros buzinaços provocados por conquistas da Elisângela.’’
Elisângela descansa até domingo, quando se reapresenta à seleção brasileira para disputar o Campeonato Sul-Americano, que vale duas vagas para a Copa do Mundo. Se o Brasil se classificar para a Copa do Mundo, disputará uma vaga para as Olimpíadas de Sidney-2000. Todos esperam que Lili – para os mais íntimos – traga mais medalhas e provoque mais festas.
Ainda que, para isso, seja preciso esperar horas no aeroporto.

mockup