Elisângela dá sequência à 'maratona'
Áureo Nogueira
De Londrina
Depois de 45 dias longe do Brasil, Elisângela retornou a Londrina com as medalhas de ouro dos Jogos Pan-Americanos, disputados no Canadá, e de prata do Grand Prix mundial, nas Fililinas e na China. Centenas de pessoas, principalmente crianças e adolescentes, a aguardavam no aeroporto local, anteontem à noite.
A previsão era de que chegasse às 19 horas. Mas o assédio da imprensa no Aeroporto de Cumbica, em São Paulo, provocou a perda do vôo e ela só pôde chegar à cidade por volta das 23h30. Os organizadores da recepção tiveram que levar as crianças de volta para casa. Mas os familiares, amigos mais próximos e muitas meninas que se iniciam no vôlei não arredaram pé.
Mesmo tarde da noite, Elisângela desfilou em carro aberto por ruas e avenidas da cidade. A recepção só terminou na casa da família, no Parque das Indústrias, zona sul, já na madrugada.
Mas ela não terá tempo para descansar. No início da tarde de ontem foi homenageada pelo prefeito Antonio Belinati (PFL) em seu gabinete. Hoje, às 8 horas, embarca para Recife, onde integra a delegação do Rexona/Paraná. É que seu clube faz jogos-exibição com o BCN em Fortaleza e Recife e o patrocinador faz questão de que suas atletas da seleção brasileira compareçam. Não vamos jogar, mas o Rexona quer que estejamos presentes.
Elisângela retorna do Recife no sábado e na quarta-feira se reapresenta ao clube, em Curitiba. No dia 13, se integra novamente à seleção para a disputa do Campeonato Sul-Americano, que se inicia dia 20, na Venezuela. O objetivo agora é garantir a vaga nas Olimpíadas de Sidney. Para isso, precisamos ir para a final no Sul-Americano e ficar entre os três na Copa do Mundo, em novembro, no Japão, destaca.
Ela tem apenas 20 anos e esta é sua primeira temporada na seleção, mas já está sentindo o quanto é estressante o calendário do vôlei. Além de tantas viagens, espera em aeroportos e exaustivas sessões de treinamentos, o que realmente desgasta são os horários rígidos. É tudo marcado: a hora de levantar, de fazer refeições, de treinar, de descansar...
De acordo com a atleta, são raros os momentos de folga. Certamente é por causa do desgaste provocado por esta rotina que volta e meia há pedido de dispensa. Tem jogadora que está há cinco ou seis anos sem tirar férias. Mesmo as solteiras sofrem. Imagine as casadas e que têm filhos?
Mesmo percebendo as dificuldades, Elisângela não reclama e faz planos para conquistar a titularidade da seleção brasileira. Sinto que tenho condições de me firmar na seleção. E estou disposta a me dedicar ainda mais intensamente para conquistar este objetivo.
Durante esta rápida estada em Londrina, Elisângela destacou a importância das conquistas do vôlei brasileiro e do seu desempenho para incentivar a prática do esporte. Mas ela entende que isso não basta. É necessário que o poder público e principalmente o empresariado participem, aponta, explicando que pequenos patrocínios e iniciativas simples, como a concessão de tênis e até passes de transporte coletivo podem produzir grandes resultados.





