A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) anunciou ontem que a atleta brasileira Elisângela Adriano foi considerada culpada por uso de doping no julgamento do Painel de Arbitragem da entidade, entre os dias 26 e 27 de julho, o que a exclui dos Jogos Olímpicos de Sydney. Passará a ser definitiva a suspensão (prévia) de dois anos que a atleta estava cumprindo, contados a partir de 12 de julho de 1999.
Nessa data, na Universíade, na Espanha, a brasileira submeteu-se ao teste antidoping que acusou a presença em seu organismo da substância nandrolona, esteróide anabólico que permite o ganho de massa muscular e força.
Ciente do resultado do exame, como ela reconheceria depois, competiu no Pan de Winnipeg, ganhando a medalha de ouro no lançamento do disco (60,92 m).
A suspensão prévia da Iaaf ocorreu em 15 de agosto, quando do anúncio oficial do resultado.
Consultada, a direção da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) informou à época que o Brasil não perderia a medalha – e a quarta posição no quadro geral no Pan para a Argentina– porque o teste a que se submetera em Winnipeg dera negativo.
Depois de receber o comunicado da punição, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) entrou com um pedido junto à Iaaf para que o caso da atleta seja apreciado mais uma vez na reunião extraordinária da entidade, que ocorrerá hoje. Elisângela, 26, se recusou a falar sobre a suspensão ontem.
A estratégia de defesa no julgamento da Iaaf fora a mesma usada na CBAt. Em 23 de fevereiro, por unanimidade (seis votos), o tribunal da confederação a considerou inocente do uso de doping.
Seus advogados alegaram que uma doença no ovário a obriga a fazer uso de um medicamento. Este, em sua própria bula, traria o alerta de que pode provocar a produção de hormônios masculinos, dos quais proveria a substância, um derivado de nandrolona, encontrada no organismo.
‘‘Não cabe mais falar nada. É esperar o tempo passar’’, disse o técnico Cunha. ‘‘Até que alguém descubra o que está errado nesses mais de 350 casos de doping por nandrolona, a Iaaf vai continuar punindo’’, completou ele.
Cunha disse acreditar que Elisângela foi prejudicada pela ordem do julgamento. ‘‘A Iaaf absolveu a Merlene Ottey (velocista jamaicana) pelo mesmo motivo. Pesou a crítica da direção da Iaaf ao tribunal. Se ela tivesse sido julgada antes da Ottey, teria sido absolvida.’’

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