ELIMINATÓRIAS SUL-AMERICANAS - Brasil terá cautela contra a Argentina
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terça-feira, 01 de junho de 2004
Luiz Antônio Prósperi<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - A seleção brasileira enfrenta a Argentina apreensiva e ainda sob o impacto do corte de Ronaldinho Gaúcho. A preocupação da comissão técnica e, em especial, dos jogadores é por novas lesões no confronto mais importante da sexta rodada das Eliminatórias da Copa, hoje, às 21h45, em Belo Horizonte. Nenhum jogador do Brasil vai jogar sem medo de estourar os músculos. Carlos Alberto Parreira está ansioso. Teme perder peças importantes que possam acabar com seu projeto de conquistar seis pontos contra os argentinos e os chilenos, adversários de domingo, em Santiago.
Seis pontos que, na avaliação do técnico, dariam ao Brasil uma caminhada sem grandes percalços nas longas Eliminatórias para a Copa de 2006. A lesão de Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores trunfos da seleção, fez Parreira alterar seus planos. Agora, o time não pode ir com tudo para cima dos argentinos, sob pena de perder outros jogadores imprescindíveis como Ronaldo, Roberto Carlos e Kaká, que têm reclamado de dores musculares.
Cautela é a palavra-chave. Paciência acima de tudo. Parreira pede ainda cuidado total aos contragolpes do inimigo. ''Eles têm um contra-ataque poderosíssimo. Não podemos dar chance. Eles podem usar essa arma sem preocupação. O ideal é sempre ter de sete a oito jogadores nossos atrás da linha da bola. Ocupar bem os espaços'', alertou o treinador.
Parreira queria também dar velocidade na saída de bola, ritmo forte, para não deixar a Argentina se organizar. Mudou de idéia depois da lesão de Ronaldinho Gaúcho. Toque de bola, paciência, fazer a torcida jogar com o time e não contra são os novos trunfos do Brasil.
Outra arma da seleção que o treinador aposta: os lançamentos de Edmílson. Contra a Catalunha, o volante foi decisivo com a bola longa, de surpresa. ''Quem vai ditar o nosso ritmo é o Edmílson'', reconheceu o lateral Roberto Carlos.
O papel de Emílson cresceu de importância depois que Parreira optou por Luís Fabiano na vaga de Ronaldinho Gaúcho. O atacante do São Paulo gosta de jogar em função das bolas longas, lançamentos. Ronaldo também.
Com base nesses lançamentos e na movimentação constante de Luís Fabiano e Ronaldo, Parreira espera surpreender os argentinos. ''Eles jogarão com três zagueiros. Teremos dois pontas-de-lanças enfiados. Quero ver como vão cuidar dos dois. Não vai ser fácil'', disse o treinador.
Já o atacante Luís Fabiano quer escrever seu nome na seleção brasileira. Apetite não falta. ''É o meu jogo'', avisou o artilheiro.
Os torcedores mineiros não conhecem de perto o goleador do São Paulo. Nem Marcelo Bielsa, técnico da Argentina, e seus pares. Sabem que ele é dado aos gols. Mas não sabem como detê-lo.
Festa Acostumada aos clássicos regionais e nacionais, a capital mineira se transformou nos últimos dois dias no epicentro do futebol sul-americano ao sediar o maior confronto do continente. A seleção brasileira volta a Belo Horizonte 11 anos depois de disputar uma partida oficial, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, contra a Venezuela.
O hino nacional será cantado pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, e por Milton Nascimento. Foram convidados os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, mas até o final da tarde de ontem não havia a confirmação de suas presenças.
EM BELO HORIZONTE
Brasil
Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Edmílson, Juninho Pernambucano, Zé Roberto e Kaká; Luis Fabiano e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Argentina
Pablo Caballero; Samuel; Quiroga e Heinze; Zanetti, Mascherano, Aimar, González e Sorín; Delgado e Crespo. Técnico: Marcelo Bielsa
Árbitro: Oscar Ruiz (COL)
Estádio: Mineirão
Horário: 21h45


