Porto Alegre - A seleção brasileira está preparada para sofrer atos racistas na Argentina sem perder a cabeça. É o que garantem os jogadores comandados por Carlos Alberto Parreira, rivais dos argentinos na partida de quarta-feira, pela 15 rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, em Buenos Aires.
O grupo se diz tranquilo no aspecto psicológico para suportar eventuais insultos e assegura que qualquer ofensa dos adversários será respondida apenas na bola. Os argentinos ficaram bastante contrariados com a prisão do volante do Quilmes, Leandro Desábato, acusado de racismo por Grafite no confronto entre Quilmes e São Paulo, pela primeira fase da Libertadores, no Morumbi, e podem tentar uma revanche, apostam alguns da seleção.
O Brasil fará dois treinos em Buenos Aires, hoje e amanhã, antes do duelo de quarta-feira. Os brasileiros desconfiam que, no mínimo, os torcedores farão provocações. ''Se os argentinos praticarem atos de racismo, é problema deles. Eu espero vencer, e bem'', declarou Robinho, confiante.
O volante Emerson, um dos mais experientes do grupo, acredita que seus companheiros terão maturidade suficiente para não ligar para possíveis atitudes ofensivas dos adversários. ''Não vamos nos abalar em nada se houver racismo por parte deles'', afirmou. ''Não acho que vá haver problemas, mas, se houver, os argentinos deverão ser punidos.''
Jogo perigoso A comissão técnica da seleção brasileira assistiu, pela televisão, ao jogo entre Equador e Argentina, realizado no sábado, em Quito. Embora não diga publicamente, Parreira preferia que os argentinos tivessem conquistado os três pontos. Nesse caso, os adversários de quarta-feira entrariam mais relaxados diante do Brasil. O treinador acha que a derrota por 2 a 0 vai tornar a partida mais difícil. O torcedor argentino não aceitará o segundo tropeço seguida, ainda mais num jogo contra o Brasil.
Além do fracasso no duelo com o Equador, a Argentina teve um jogador expulso, Estebán Cambiasso, um dos poucos titulares que estiveram em campo. O meio-campista, assim, não poderá enfrentar o Brasil.
Contusão Juninho Pernambucano sofreu estiramento na coxa direita, durante a fase de preparação da seleção, na semana passada, em Teresópolis mas, após exames realizados nos últimos dias, em Porto Alegre, os médicos da seleção brasileira resolveram mantê-lo no grupo. O meia não poderá nem ficar no banco no confronto de quarta-feira, mas seguirá para a Alemanha para a disputa da Copa das Confederações.
Mesmo assim, é possível que ele não se recupere a tempo de participar dos primeiros jogos da equipe no torneio. ''Eu me coloquei a disposição da comissão técnica para a Copa das Confederações, que vai ser importante para mim e para o Brasil'', comentou Juninho, que embora não seja titular, é uma espécie de 12º jogador.

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