Teresópolis - Ronaldo foi o centro das atenções de quase todo o treino coletivo da seleção brasileira, ontem, na Granja Comary, o último antes do jogo com a Venezuela, amanhã, na cidade de Maracaibo. Ele esteve bem, não sentiu dores na coxa e está confirmado no time titular.
Seu reserva imediato, Adriano, estava de sobreaviso. Numa eventualidade, o atacante da Inter de Milão substituiria Ronaldo. E ele também fez um bom coletivo, com muito empenho entre os reservas e travou uma disputa à parte com o zagueiro Roque Júnior. Ninguém esperava, porém, que o destaque do coletivo fosse outro atacante: o segundo reserva Luís Fabiano, autor de três gols, dois deles muito bonitos.
O coletivo foi vencido pelos reservas, por 3 a 2 Ronaldinho Gaúcho e Lúcio, contra, marcaram para os titulares. No final, não havia como deixar de lado a atuação de Luís Fabiano. ''Tive as oportunidades e conferi. Estou aqui para isso'', disse o ex-jogador do São Paulo, hoje no Porto.
E logo vieram os elogios. ''A concorrência é grande no ataque. Quem está na seleção faz sempre o melhor possível. E isso é um problema para o treinador'', declarou Ronaldo, depois de afirmar que a contratura na coxa direita é coisa do passado. ''Estou 100%, pronto para jogar.''
Para Adriano, a exibição de Luís Fabiano no coletivo demonstra que é muito difícil a conquista de uma vaga de titular na seleção brasileira. ''Você viu? Ele foi bem mesmo. É bom ter essa competição. Assim o técnico passa a contar com mais opções'', afirmou.
Pouco afeito a declarações enaltecedoras e individualizadas dos atletas, Parreira comentou o desempenho como um todo do time reserva ao ser perguntado sobre Luís Fabiano. ''Veja quem atuou no outro time: Alex, Edu, Adriano, Luís Fabiano, Lúcio, Luisão. É uma equipe mais forte que muitas outras do continente'', avaliou o treinador.
Parreira contou que seus objetivos foram atingidos no treino. No entanto, fez a ressalva de que nem tudo que se trabalha durante a semana se repete nos jogos. Ele gostou notadamente do controle de bola do time e do bloqueio no meio-de-campo. E ainda da maneira como Ronaldo se portou. ''Valeu como um todo.''
O treinador insistiu durante a movimentação que os titulares ficassem atentos ao rebote, logo após a saída de bola com chutes longos do goleiro reserva. ''Em cada dez jogadas assim, perdemos oito. É preciso mudar isso, recuperar o domíbio da bola'', gritou Parreira pelo menos três vezes.
Ele disse que a seleção hoje tem características distintas da de 1994, quando treinou a equipe tetracampeã mundial. E destacou a diferença no papel dos atacantes. ''O Romário e o Bebeto não roubavam a bola. Hoje, o Ronaldo e o Ronaldinho Gaúcho fazem isso toda hora.''
Feliz por não ter acusado dores na coxa, Ronaldo disse que está guardando gols para o confronto de amanhã. ''Tive uma chance, mas o Julio Cesar evitou. Importante foi ter dado piques e chutes a gol, sem nenhum problema.''
Após o treino, a seleção almoçou rapidamente na Granja Comary e seguiu para o Aeroporto Santos Dumont, de onde partiu em vôo fretado para a cidade portuária de Maracaibo, na Venezuela.

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