ELIMINATÓRIAS DA COPA DO MUNDO - Reservas sentem altitude e empatam com Bolívia
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de outubro de 2005
Ricardo Perrone<br> Folhapress 
La Paz - Ofegante, o técnico Carlos Alberto Parreira pediu para não falar no campo, ao fim do jogo. Se, sentado no banco, ele sentiu os efeitos da altitude de La Paz, com a seleção reserva não foi diferente, ontem, ante a pressão boliviana.
Com um Robinho extremamente discreto e um Adriano marcado à exaustão, a cobrança de falta de Juninho Pernambucano, aos 25 minutos do primeiro tempo, deu tranquilidade no jogo para o pouco entrosado time de Parreira, que entrou para não perder.
Depois do gol, a estratégia era deixar o tempo passar em passes laterais. A equipe vinha de duas derrotas em Eliminatórias nos 3,6 mil metros da capital boliviana. Desde o início, a equipe tinha dificuldades de sair jogando, devido à marcação exercida pela Bolívia já na intermediária brasileira.
Quando a bola passava do meio, a troca de passes curtos e rasteiros entre os meias Ricardinho e Juninho com os atacantes Adriano e Robinho não era eficiente. Tanto era assim que Parreira saiu de campo dizendo que a seleção deveria ''melhorar o toque de bola e parar de dar chutão da defesa'' durante o segundo tempo.
Pelo que se viu em campo, o técnico Ovidio Messa orientou os bolivianos a atacar principalmente pela esquerda, imaginando que Cicinho teria uma atuação mais ofensiva, o que não ocorreu. Mais adaptados ao jogo no ar rarefeito, os andinos arriscavam chutes de média distância, apostando na velocidade da bola para vencer o goleiro Júlio César que esteve muito bem quando exigido e em cruzamentos para a área, atrás de Botero e Gutiérrez.
A estratégia boliviana deu certo aos 5 minutos do segundo tempo, mas com nomes novos. Pachi, que substituiu Gutiérrez, levantou bola na área para Botero. Livre de marcação, ele escorou de cabeça para Castillo, que entrou no lugar de Hoyos, empatar. Roque Júnior, que o marcava, apenas assistiu.
A verdade é que o Brasil voltou para o segundo tempo ainda menos agressivo, talvez pelo cansaço. Com os erros de passe de ambas as equipes e as faltas duras que castigaram especialmente Cicinho , o jogo entediava.
Pusilânime, o árbitro uruguaio Jorge Larrionda deixava a partida correr, o que chegou a enervar os jogadores brasileiros. Ainda mais num jogo que só cumpria tabela a Bolívia não tinha mais chances de classificação. Dez minutos depois do gol, Parreira optou por tirar o volante Renato e o lateral-esquerdo Gilberto, colocando Alex, do Fenerbahce, e o corintiano Gustavo Nery.
Pouco mudou. O Brasil só assustou Arias em chute de Adriano, dentro da área, aos 30 minutos. A última cartada de Parreira foi o vigor físico de Júlio Baptista no lugar de Juninho Pernambucano. Mas a partida continuou com claro desinteresse do Brasil e com o automatismo boliviano em cruzamentos na área, frequentemente nas mãos de Júlio César.
EM LA PAZ
Bolívia 1
Arias; Jauregui, Vaca e Raldez; Hoyos (Castillo), Angulo, Cristaldo, Baldivieso e Galindo (Paz); Botero e Gutierrez (Pachi). Técnico: Ovidio Messa
Brasil 1
Júlio César; Cicinho, Luisão, Roque Júnior e Gilberto (Gustavo Nery); Gilberto Silva, Renato (Alex), Juninho Pernambucano (Júlio Baptista) e Ricardinho; Robinho e Adriano. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Estádio: Hernando Siles
Gols: Juninho aos 25 minutos do 1º tempo; e Castillo aos 5 minutos do 2º tempo


