Maracaibo - O Brasil lidera o ranking da Fifa, é pentacampeão mundial, tem seis atletas indicados para o título de melhor do planeta em 2004 e venceu recentemente a Copa América com time reserva. Todas essas credenciais apontam o absoluto favoritismo da seleção para o jogo desta noite, às 22 horas (de Brasília), contra a Venezuela, pelas Eliminatórias do Mundial de 2006.
Os números também indicam uma ampla vantagem brasileira. Em 15 partidas realizadas até agora entre as duas equipes, houve 15 vitórias do Brasil. Nada disso, porém, deve pesar no resultado de hoje. O alerta é do técnico Carlos Alberto Parreira. ''Favoritismo não leva a lugar nenhum. Se não suar a camisa, não superar as dificuldades e não jogar com seriedade, a história pode mudar.''
Ele levará a campo um trio de potencial indiscutível: Kaká, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Os três não atuavam juntos desde o amistoso com a França, em maio. A presença deles, no entanto, não significa que o público será brindado com um futebol vistoso.
O Estádio Jose Encarnacion Pachencho Romero está esburacado e duro, ou seja, em péssimas condições. Na verdade, o local da partida foi construído para servir de velódromo e abrigar oito pistas de atletismo. Como no meio da obra ficaria um espaço vazio, a solução encontrada foi gramar a área.
A evolução da seleção da Venezuela desde as últimas Eliminatórias despertou na equipe brasileira uma atenção maior contra o adversário. Parreira não esconde sua opinião sobre a superioridade do Brasil, mas repetiu durante a semana várias vezes que ''camisa não ganha jogo''.
Essa estratégia do grupo é clara: é preciso ter cuidado nas declarações para evitar animosidades e não motivar quem está do outro lado. O lateral Cafu, de volta à seleção depois de três partidas, manteve o discurso de Parreira. ''A Venezuela venceu recentemente o Uruguai por 3 a 0, em Montevidéu. Não é uma equipe ingênua. Espero que o nosso tabu contra eles não seja quebrado.''
O zagueiro Roque Júnior seguiu a linha de raciocínio. ''Se o Brasil entrar em campo pensando que o jogo é fácil, vai criar um grande problema.'' Ele atuará ao lado de Juan, seu companheiro de zaga no Bayer Leverkusen. No meio, Renato está escalado como substituto de Edmílson, contundido.
Para suportar o calor em Maracaibo a temperatura prevista para esta noite é de aproximadamente 30 graus , a recomendação da comissão técnica é para que o time não corra demais e procure tocar a bola com rapidez.
Kaká vai exercer o papel de ''número 1'', nome que Parreira dá ao jogador que atua mais adiantado no meio e serve os atacantes. O atleta do Milan previu dificuldades com relação ao estado do gramado e à motivação dos venezuelanos. ''Pela primeira vez, eles notam que existe a possibilidade de o time deles lutar pela classificação a um Mundial''.
Imediatamente após o jogo, a delegação brasileira deixa Maracaibo em vôo fretado, seguindo para Maceió, onde enfrentará a Colômbia, na quarta-feira, pela primeira rodada do returno das Eliminatórias.



EM MARACAIBO

Venezuela

Angelucci; Vallenilla, José Rey, Cichero e Rojas; Luis Vera, Leo Jiménez, Ricardo Páez e Juan Arango; Morán e Margiotta. Técnico: Richard Páez

Brasil

Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Renato, Juninho Pernambucano, Zé Roberto e Kaká; Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Técnico: Carlos Alberto Parreira

Árbitro: Carlos Chandia (CHI)
Estádio: Jose Encarnacion Pachencho Romero
Horário: 22 horas (de Brasília)

mockup