ELIMINATÓRIAS - Ronaldo se iguala a Rivaldo e Pelé
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - Em apenas uma frase, o atacante Ronaldo resumiu ontem a emoção de voltar ao Mineirão dez anos depois de deixar o Cruzeiro e marcar os três gols da vitória brasileira sobre a Argentina, no mais importante jogo realizado até o momento pelas Eliminatórias da Copa de 2006. ''Foi maravilhoso'', comentou o craque, em resposta aos torcedores que o assediavam na porta do hotel em que a seleção estava hospedada, na capital mineira. Além de conduzir o Brasil à vitória e à liderança do torneio classificatório, o atacante alcançou mais um feito com a camisa amarela: igualou-se a Pelé e Rivaldo, os únicos até então a balançar as redes em três oportunidades numa mesma partida contra os rivais sul-americanos, em quase 90 anos de confronto.
Embora tenha evitado dar entrevistas, Ronaldo demonstrava ontem estar bastante contente e revelava até um certo alívio com a sua atuação no dia anterior. Desempenho que arrancou elogios do técnico Carlos Alberto Parreira e do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Todas as atenções estavam voltadas para o atacante cuja condição física vinha ultimamente sendo insistentemente questionada na despedida da delegação brasileira de Belo Horizonte.
''Quando colocam pressão em cima dele, ele vira um leão, vira bicho'', observou o treinador brasileiro, entusiasmado com a mobilidade demonstrada durante os 90 minutos pelo jogador do Real Madrid. Parreira disse ter chegado à conclusão de que o Fenômeno necessita de liberdade para atuar. ''Ronaldo é assim, não tem esquema tático, é bola no pé dele. Dá no pé do Ronaldo, que ele resolve.''
Provocado a comentar a atuação do atacante brasileiro, Blatter disse que assistiu a um atleta ''completamente mudado'' em relação às suas últimas partidas pelo clube espanhol. O suíço argumentou que o curto período na seleção já representou um ''grande impacto'' em Ronaldo.
Peso A performance de Ronaldo que sofreu três penalidades e as converteu, assumindo a artilharia das Eliminatórias, com seis gols representou bem o retrato do time comandado por Parreira, que contra a Argentina contou mais com as investidas individuais dos atletas do que de seu conjunto. Justo ele, que vinha sendo criticado pelo peso supostamente excessivo. ''Imagina se ele estivesse no peso ou no ideal físico dele. O que seria da Argentina?'', questionou o preparador físico da seleção, Moraci Santana, para quem a discussão sobre a condição atlética do jogador não é importante neste momento.
O preparador físico lembrou que Ronaldo sofreu o último pênalti já nos acréscimos do árbitro, no segundo tempo da partida. ''Isso prova que ele não está mal fisicamente.''
O atacante chegou a se irritar com um ''jornalista-humorista'' argentino, que tentou presenteá-lo com um livro de dietas após o jogo. Em uma rápida entrevista, disse que fazer três gols contra a Argentina significava ''um sonho que se tornou realidade'' e salientou que se sentiu ''em casa'', na volta ao Mineirão.
Apesar de Ronaldo procurar ser comedido nas palavras, sua atuação foi reverenciada até pelo técnico argentino Marcelo Bielsa. ''Ele foi determinante para a nossa derrota.''


