São Paulo, 18 (AE) - As eliminatórias, um obstáculo sempre superado pela seleção brasileira em toda a sua história, sempre tiveram também um lado tenso. A fase classificatória para a Copa do Mundo é sempre um teste de fogo para, principalmente, os treinadores. Muitas vezes, eles são vistos sob um certo grau de desconfiança e ceticismo por parte da imprensa e dos torcedores. A partir do próximo ano, o Brasil começa a sua nona participação na competição. E a bola da vez é o técnico Wanderley Luxemburgo.
Na última empreitada brasileira, em 1993, rumo ao Mundial dos Estados Unidos, Carlos Alberto Parreira, por exemplo
que se tornaria campeão no ano seguinte, foi o responsável pelo primeiro e único tropeço da equipe nacional em eliminatórias - derrota por 2 a 0 para a Bolívia, em La Paz. A justificativa, na ocasião, foi a altitute.
O torcedor, porém, não quis desculpas e passou a criticar bastante o treinador. Romário acabou virando o salvador da pátria, com dois gols na vitória sobre o Uruguai, no Maracanã
última partida da disputa. Esta também foi a última vez em que a seleção brasileira entrou em campo para jogar as eliminatórias. Para a Copa da França, no ano passado, o Brasil classificou-se por ser o campeão da edição anterior.
Apesar da derrota histórica, Parreira conseguiu, por outro lado, derrubar um tabu. Nas outras duas vezes em que o Brasil foi campeão mundial após disputar eliminatórias, os treinadores dessa fase não chegaram a disputar a competição. Em 1957, Osvaldo Brandão, mesmo vitorioso, perdeu o cargo, no ano seguinte, para Vicente Feola. Em 1969, João Saldanha cumpriu a meta, mas foi Zagallo que conduziu o time na Copa do México.
Em 1981, Telê Santana teve um início conturbado, após resultados não tão convincentes. Em 1989, Sebastião Lazaroni, prestigiado pelo título da Copa América e, ao mesmo tempo, sob certa desconfiança, garantiu a vaga depois de uma encenação do goleiro Rojas - que dizia ter sido atingido por um rojão -, na vitória por 1 a 0 sobre o Chile, no Maracanã. A Fifa puniu os chilenos e declarou o Brasil vencedor por 2 a 0.
As eliminatórias serviram também para marcar momentos importantes da história do futebol brasileiro. Em 1957, Didi marcou, contra os peruanos, no Maracanã, um belo gol, que levou o nome de "Folha Seca". A vitória por 1 a 0 deu ainda a classificação para o Mundial da Suécia, depois de um empate por 1 a 1, em Lima. Em 1969, Tostão, em seu auge, sagrou-se o maior artilheiro brasileiro em eliminatórias, com dez gols.
Foram seis vitórias, contra Colômbia, Venezuela e Paraguai. O Brasil participou de oito edições, a partir de 1954. Foi convidado para três Copas do Mundo - 1930 (Uruguai), 34 (Itália) e 38 (França), as duas últimas por desistência, respectivamente, do Peru e da Bolívia de disputar uma eliminatória. Por ter sido campeão na edição anterior, classificou-se automaticamente para as competições de 1962, 1966, 1974 e 1998. Em 1950, foi o organizador.

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