Teresópolis - Não passa pela cabeça do torcedor brasileiro uma seleção formada ofensivamente por Kaká, Robinho, Adriano e Ronaldo jogar 90 minutos sem marcar gols. Por isso, espera-se uma vitória convincente domingo contra o Chile, mesmo a despeito da formação defensiva que a equipe do técnico Nelson Acosta deverá montar em Brasília, com três zagueiros e também três volantes de marcação.
O técnico Carlos Alberto Parreira e o quarteto de frente, entretanto, preferem a cautela, sobretudo porque ainda não existe entrosamento dos jogadores. Eles jogaram juntos apenas 45 minutos do amistoso com a Croácia, empate por 1 a 1. ''Todos nós sabemos fazer gols, sendo que o Ronaldo e o Adriano são especialistas nisso. Um de nós vai marcar e espero que sejam dois gols domingo'', disse Robinho, que na quarta-feira recebeu uma ligação do técnico Vanderlei Luxemburgo para saber como estão as coisas.
Depois de vislumbrar um Robinho mais à frente, próximo de Ronaldo e Adriano e infernizando a vida dos rivais, Parreira repensou sua decisão e disse ontem que o jogador do Real Madrid terá funções de construir jogadas. O técnico teme que o trio fique isolado no ataque. A recomendação tem sido pela movimentação. ''Se eles não se acertarem, a seleção ficará vulnerável. E o trio muito embolado.''
Apesar da opção ofensiva contra o Chile, Parreira não abre mão que seus homens de frente recuem para dar combate. ''Se isso não acontecer, não ganharemos de ninguém.''
Para o treinador, o fato de ter quatro jogadores que sabem fazer gols não representa uma goleada certa. Ele deu exemplos de clubes do futebol brasileiro que se valeram de bons atacantes em determinadas temporadas e que acabaram não funcionando. O Flamengo no ano do seu centenário teve Edmundo, Sávio e Romário na frente e a equipe não conseguiu se acertar.
É de Ronaldo, no entanto, que o torcedor mais espera os gols necessários para a classificação do Brasil à Copa da Alemanha. O próprio jogador reconheceu sua necessidade em marcar na Seleção, pois já está há cinco partidas sem balançar as redes. Seu último gol pelo Brasil foi no ano passado, na vitória por 5 a 2 diante da Venezuela, em Maracaibo. Depois daquela partida, Ronaldo ficou fora de dois jogos das Eliminatórias por determinação da CBF uma punição porque ele não quis disputar a Copa das Confederações. E não marcou mais. ''Já passou da hora de eu marcar. Mas o importante contra o Chile é a gente ganhar. Para isso, temos de nos posicionar bem. Precisamos ficar em cima deles e usar os espaços'', explicou o Fenômeno.
Parreira sabe que tem nas mãos uma máquina de fazer gols. Mesmo Robinho, o mais novo dos quatro, aprendeu na última temporada a finalizar bem para o gol. Mas o treinador cobra um time equilibrado, acima de tudo. Sua principal recomendação no coletivo foi em motivar seu elenco a também roubar a bola nos contra-ataques 'chilenos'. Não foi fácil e em determinados momentos parecia que a equipe toda estava no ataque, deixando a batata quente para Zé Roberto e Emerson.
Adriano também virou sinônimo de gols na Itália. Na abertura do Campeonato Italiano, semana passada, ele fez três gols na vitória da Inter de Milão. E já virou a sensação da disputa. Mas também prefere a cautela para comentar o desempenho da seleção em Brasília. ''Olhando para a escalação do Brasil é fácil dizer que faremos muitos gols. Mas não será tão fácil assim.''
Kaká também espera deixar sua marca, sobretudo em sua cidade natal e diante de seus familiares. Mas dos quatro homens de frente, ele é quem tem mais a consciência tática exigida pelo treinador.

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