São Paulo, 20 (AE) - Embora estivessem numa posição privilegiada, com a visão panorâmica do Morumbi, Orlando Costa, de 52 anos, e Émerson Heidi Yto, de 42 anos, responsáveis pelo placar eletrônico e serviço de som do estádio, não puderam assistir a decisão do Paulista entre Palmeiras e Corinthians com os olhos fixos no campo. "Só depois do jogo, pela televisão, é que eu vejo o que acontece de mais importante numa partida como os gols ou outros lances interessantes", disse Orlando, que há 28 anos trabalha no Morumbi na mesma função.
Émerson é dono da empresa que, além do Morumbi, cuida do placar eletrônico do Pacaembu, Palestra Itália (Palmeiras) e Brinco de Ouro (Guarani). Desde 79 está nesse ramo e disse que também não consegue acompanhar os jogos, principalmente, quando se trata de um clássico como o de hoje. "Temos de estar atentos a outras informações paralelas ao jogo do Morumbi, como resultado de outras partidas, e serviços de utilidade pública.
Orlando não esconde que é torcedor do Palmeiras. Na decisão de hoje disse, antes da partida, que não tinha tanta esperança de que seu time fosse reverter a desvantagem do adversário. "O que nós queríamos já conseguimos, a Libertadores", disse Orlando, que considerou a decisão do Paulista de 93, ganha pelo Palmeiras sobre o Corinthians "a mais emocionante dos últimos anos".
A missão de Orlando é pôr no ar a escalação das equipes, do juiz e seus auxiliares, mais as substituições, cartões amarelo e vermelho, o acréscimo do tempo da partida, e algumas "mensagens" como informação para a torcida. "Por causa dessa tarefa, não posso ficar acompanhado o jogo com a mesma paixão de um torcedor", afirmou Orlando.
Yto supervisiona a parte técnica e faz o acompanhamento que o sistema de som do estádio transmite, com o apoio da Rádio Bandeirantes, com o que vai anunciado no serviço de som e no placar eletrônico. "É muita correria e temos de prestar atenção em outras coisas fora de campo, que a gente perde o gol e outros lances importantes", disse Yto, que não divulga o nome do seu time por razões profissionais. "Se ficarem sabendo posso não renovar meu contrato com alguns clientes", disse.

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