O atleta Elenilson da Silva, 29 anos, diz que só vai para a Maratona de Berlim porque recebeu um convite dos organizadores, pois caso contrário, a falta de patrocínio o iria impedir de participar da corrida. Especialista em cinco e 10 mil metros, Elenilson pretende ser maratonista e lamenta o duro regime financeiro imposto aos atletas brasileiros.
Mesmo com um currículo que inclui o pentacampeonato brasileiro em cinco e dez mil metros, além de uma medalha de ouro e outra de prata no último Pan Americano realizado em Canadá, o atleta tem somente um patrocinador. ''A Mizuno me dá o material esportivo e uma ajuda de custo, mas não é suficiente para a tranquilidade que um atleta de alto nível precisa ter'', explica Elenilson.
Segundo ele, o ritmo de treinamento e a necessidade de uma alimentação adequada, impedem o atleta de exercer qualquer outro tipo de trabalho. ''Seria bom ter pelo menos mais um patrocinador'', completa o atleta.
No caso de Elenilson, a situação ficou ainda mais complicada desde que decidiu mudar o estilo de corrida. Dos 150 quilômetros semanais que realizava para os 5 mil e 10 mil metros, hoje, o atleta percorre um mínimo de 210 quilômetros por semana. O percurso equivale a 30 quilômetros por dia, sendo metade pela manhã e outra no período da tarde. ''O ritmo para maratona é outro e exige um treino duro'', diz Elenilson.
O novo estilo de treinamento começou há três meses. Conforme o atleta, o principal objetivo - além de eventos intermediários como o de Berlim e a Corrida de São Silvestre - é a maratona das Olímpiadas de 2004. ''Queria novos desafios e agora luto pela adaptação nos 42 quilômetros e 195 metros de uma maratona, mas também vou continuar com os cinco e 10 mil metros'', ressalta o atleta.
Outra atleta que sofre com a falta de um patrocinador forte que garanta tranquilidade para trabalhar é a fundista Cleuza Maria Irineu, de Londrina. Bi-campeã (99/2000) da Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte, primeira brasileira na corrida de São Silvestre em 99, Cleuza luta diariamente para continuar no esporte.
Segundo ela, conforme carta enviada à Folha, os atletas são manipulados pelos homens que deveriam dar apoio ao esporte, oferecendo baixa remuneração e poucos privilégios. ''Assim vive, ou sobrevive, o atleta amador no Brasil, inclusive em Londrina'', analisa ela.

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