Elenílson dá mais um ouro para o Brasil
Janaina Tupan Frare
Especial para a Folha
de Winnipeg, Canadá
Nem os problemas de coluna impediram o sul-mato-grossense Elenílson Silva, 27, que treina em Maringá, de conquistar mais uma medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. Ele terminou a prova dos 10 mil metros com o tempo de 28m43s50, apenas um segundo na frente do mexicano Galván Martínez. É a segunda medalha dele na competição. No sábado ele ganhou prata na prova dos 5 mil metros.
Graças a Deus não senti nenhuma dor e corri muito bem diz o atleta, que durante toda a prova usou uma palmilha especial no pé direito. A palmilha é para compensar a diferença de quase dois centímetros que tenho entre uma perna e outra, diz Elenílson, que além do encurtamento na perna direita também tem escoliose e cifose. Os médicos falaram que eu não correria mais, mas graças a Deus eu continuo correndo, claro, com alguns cuidados especiais. Sempre treino na grama para diminuir o impacto e não causar nenhum problema nas minhas vértebras, completa.
Elenílson começou a correr aos 15 anos, em Bela Vista/MS. Segundo ele, se inscrevia em todas as provas de rua que ouvia no rádio. A sua primeira vitória aconteceu em 1990, uma corrida rústica.
Sua infância foi difícil, dividindo-se entre a escola e o trabalho de boiadeiro para ajudar em casa. Depois de deixar a família, mudou-se para São Paulo. Não tinha lugar para morar, estava sendo despejado da pensão quando comecei a cuidar do neném da dona em troca do teto para dormir. Cheguei a dividir um quarto de pensão com outros sete atletas. Passei muita fome. Fiquei 15 dias comendo apenas banana, afirma.
Além do ouro nos 10 mil metros e prata nos 5 mil do Pan de Winnipeg, Elenílson carrega em sua bagagem o titulo de campeão (10.000 metros) no Troféu Brasil deste ano e nos 5 mil metros do Troféu Brasil de 95. Ele ainda tem a fama de ser o terror das provas de rua no Norte do Paraná. Todos os anos está presente na Prova Tiradentes, em Maringá; na 28 de Janeiro, em Apucarana; e na 18 de Fevereiro, de Cornélio Procópio.





