Elenco pára e ameaça não jogar
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Claudemir Scalone De Londrina 
Os jogadores do Londrina se recusaram a treinar ontem à tarde e o coletivo-apronto que o técnico Wanderley Paiva comandaria no VGD acabou cancelado. A recusa foi uma resposta à decisão do gerente de futebol, Ciro Antônio Rios, de só pagar os salários atrasados após o dia 7 de outubro.
Mas não é apenas o problema financeiro que fez o elenco parar. Coisas básicas para um time de futebol profissional como gelo e medicamento estão em falta.
A situação é tão crítica que o técnico pode até colocar o cargo à disposição e não dirigir o time amanhã contra o Marcílio Dias, no VGD, pelo Módulo Amarelo da Copa João Havelange. Caso o elenco se recuse a jogar, o clube também poderá perder o jogo por WO.
Vou ter uma reunião com o pessoal para definir minha situação. Do jeito que está não dá para continuar, desabafou Wanderley Paiva, visivelmente abatido com a série de embaraços que tem enfrentado. Na semana passada, alguns atletas haviam reclamado da falta de condições para chegar aos treinos e da própria alimentação fornecida pelo clube através dos parceiros Ciro Antônio Rios e Roberto Campi.
Irritado, Ciro Rios alegou que isso era mais uma desculpa do elenco para justificar o fracasso do time em campo. Como represália, o dirigente condicionou o pagamento dos salários à obtenção de vitórias. Apesar de o time ter vencido o Brasil de Pelotas por 2 a 1 na quarta-feira, o dinheiro não saiu.
Decidimos tomar uma postura para resolver questões como as condições de trabalho, disse o zagueiro Nelson, após o grupo comunicar ao treinador que ninguém iria treinar. Todos os atletas deixaram o VGD pouco antes das 17 horas.
O grupo só retornou ao estádio por volta das 18 horas para ter uma longa conversa com Ciro Rios, longe da imprensa, no centro do gramado do VGD. Cerca de uma hora depois, o dirigente deixou a reunião e manteve firme seu posicionamento. Passei para eles a realidade. Só vou pagá-los depois do dia 7. Avisei ainda que não quiser permanecer é só avisar. Eles têm que decidir agora, afirmou o dirigente.
Rios não teme que o elenco se recuse a jogar amanhã e o Londrina perca a partida por WO. Eles vão jogar no domingo. Eu conheço eles, garantiu, convicto. O dirigente criticou a forma de pressão adotada pelos jogadores. É uma forma errada de pressionar. Eles deveriam cumprir a parte deles e trabalhar. Ele isentou ainda os diretores do Londrina do episódio. A diretoria está isenta porque nós aceitamos isso que está aí, disse ele.
Poucos jogadores se dispuseram a falar a respeito da crise de relacionamento com o Ciro Rios. Mesmo após a reunião no gramado, vários grupos se formaram e os atletas discutiram o assunto. O volante Flávio Goiano, um dos líderes do grupo, relatou que a situação estava normal. O jogador garantiu que todos vão participar do treino de hoje, a partir das 9 horas, no VGD. No entanto, ficou no ar a impressão de que o time pode não entrar em campo amanhã.
O problema escancarou de vez a total falta de condições dos parceiros do Londrina em comandar o principal clube de futebol da cidade, que a cada dia envergonha mais e mais o torcedor.


