São Paulo - Mais do que superar a desconfiança dos dirigentes com sua badalada vida noturna, se mostrar um profissional durante os treinos, sem atrasos ou faltas, ou ficar em dia com a balança, Adriano terá uma grande e dura missão em sua chegada ao Corinthians, caso ela realmente se confirme: ganhar a confiança dos novos companheiros, como Ronaldo fez no início de 2009.
Apesar da consagração mundial, Ronaldo chegou ao Parque São Jorge abrindo mão de privilégios e regalias, se mostrando humilde e brincalhão, o que cativou rapidamente o grupo. Ele agora servirá de conselheiro para o amigo Adriano conseguir se enturmar e mostrar que pode ser útil em um elenco fechado e agora sem estrelas. E também com a exigente torcida.
A provável chegada de Adriano ao Corinthians não é uma unanimidade entre os jogadores. Mas nada de tumultuar o ambiente antes mesmo do Imperador ser apresentado. No grupo, o discurso ensaiado e politicamente correto é de que o polêmico goleador será recebido de braços abertos e com a promessa de que ''ganhará total ajuda'', de todos.
Sem clube desde que rescindiu contrato com a Roma, Adriano já tem acordo apalavrado com o Corinthians. Sua primeira opção, neste retorno ao Brasil, é voltar para o Flamengo, mas foi descartado pelo clube carioca. Assim, ele acabou aceitando a proposta corintiana, em negócio comandado por Ronaldo. Mas, enquanto não estiver tudo assinado, a diretoria do Corinthians evitar confirmar o reforço.
Discurso ensaiado
''Não acho que ele é uma laranja podre. Como o Ronaldo veio e ajudou bastante, caso o Adriano se confirme, também vai ajudar bastante'', enfatiza o meia-atacante Jorge Henrique, que é, ao lado de Dentinho, candidato para perder a posição no time se o atacante for contratado. ''O único problema é que vai sair um do time para ele entrar'', enfatiza. Quando Ronaldo chegou, Jorge Henrique acabou na reserva com o técnico Mano Menezes em alguns jogos.
O capitão Chicão e o lateral-direito Alessandro, dois dos mais experientes do grupo, seguem a linha de que Adriano será bem recebido pelo grupo. Mas alertam. ''Ele terá de trabalhar como todos'', diz o zagueiro. ''O que ele faz fora do campo não será problema nosso'', endossa Alessandro.
Jogador da mesma posição de Adriano e em alta com a torcida pelo bom futebol - são 10 gols em 9 jogos -, Liedson não quer saber de polêmica. ''Quem sabe (como o time irá jogar) é o Tite, mas por mim jogo em qualquer lugar. Porém só vamos falar mais quando as coisas estiverem certas, concretas. Se ele vir, será uma boa ajuda e vamos recebê-lo de braços abertos'', disse o atacante.

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