Eleições no São Paulo colocam parceria em pauta
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sábado, 26 de fevereiro de 2000
Por Eduardo Maluf 
São Paulo, 27 (AE) - Desde a saída do presidente José Eduardo Mesquita Pimenta, acusado de corrupção, após o bicampeonato da Copa Libertadores da América, conquistado em 1993, o São Paulo está sofrendo com as mais sérias brigas políticas de sua história, o que está prejudicando a campanha da equipe nos campeonatos que disputa. Nos últimos seis anos, apenas um título de relevância foi conquistado, o Paulista de 98.
O clube terá uma novo presidente e, consequentemente, uma nova diretoria em abril, que promete mudar tudo o que está atrasado. O principal objetivo dos concorrentes à vaga de José Augusto Bastos Neto é o acerto de uma parceria até o fim deste ano.
Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, é o candidato da oposição e espera pela definição de seu rival da situação, que vai acontecer esta semana, provavelmente na quarta-feira. A briga será entre Carlos Kherlakian, atual vice-presidente, que desbancou Bastos Neto na pré-convenção do Grupo Tradição, e Paulo Amaral, diretor-financeiro do clube e membro do Grupo União.
"Apesar de eu ser o vice, tive algumas divergências com o Bastos Neto durante esses dois anos", conta Kherlakian, que terá o apoio do presidente. "Não concordei com algumas contratações de jogadores e espero investir mais no time."
Leco quer encontrar na parceria a solução para os problemas do clube. "Nosso objetivo é contratar uma empresa para estudar as propostas de parceria e avaliar o patrimônio do São Paulo", afirma. A intenção do candidato da oposição é fechar o acordo com uma empresa ainda em 2000.
Os dirigentes têm apenas uma preocupação. Não querem entregar todo o departamento de futebol à empresa parceira do clube, como ocorre no caso do Corinthians com a Hicks Muse.
As propostas de modernizar o time, contratar jogadores, dar mais atenção ao futebol e fechar uma parceria podem recolocar o São Paulo entre os favoritos à disputa de títulos, mas o futuro presidente terá um grande adversário para colocar as idéias em prática: a forte divisão política.
"Não consegui ter tranquilidade para me dedicar à parte do futebol", lamentou Bastos Neto no início do ano, fazendo referência às brigas políticas internas e ao Caso Adidas - ele teria assinado um aditamento do contrato com a empresa fornecedora de materiais esportivos prejudicial ao clube -, que a oposição explorou para tentar destituí-lo do cargo. Derrotado Bastos Neto vai apenas cumprir, burocraticamente, seus últimos dois meses de mandato.
O São Paulo tem oito facções políticas, quatro da situação e quatro da oposição, que brigam até internamente.
A grande prova dessa divisão está na disputa eleitoral. Três dirigentes da atual diretoria, considerados amigos e donos das mesmas idéias políticas, estão se defrontando.
Primeiro houve a disputa de Bastos Neto com Kherlakian na pré-convenção do Grupo Tradição. Nesta semana, a luta final para decidir quem sairá candidato na situação vai ser entre entre o homem de confiança do presidente, o diretor-financeiro Paulo Amaral, e seu vice.
"Embora o presidente apóie o Kherlakian, não vamos ter nenhum problema de relacionamento; respeito sua posição", garante Amaral.
Com os desentendimentos de membros da situação política do São Paulo, Leco, da oposição, passa a ter um ligeiro favoritismo na disputa eleitoral que vai ocorrer na segunda quinzena de abril. "No São Paulo todas as eleições são muito disputadas", opina Bastos Neto.
A troca da diretoria tricolor, independentemente do grupo que se eleger, não deverá resultar na mudança da comissão técnica. Levir Culpi é bem aceito entre os dirigentes e, caso não ocorra nenhum desastre durante o Paulistão, será mantido no cargo.
O treinador, porém, terá de conviver com a falta de reforços até a chegada do novo presidente. "É normal nessa época que a diretoria se preocupe muito mais com as eleições do que com o futebol", comenta Levir.


