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domingo, 30 de junho de 2002
Agência Folha 
Yokohama - De forma impecável, a seleção brasileira conquistou seu quinto título mundial. Com a vitória de 2 a 0 sobre a Alemanha, em Yokohama (Japão), o Brasil repetiu um feito histórico de 1970: vencer todas as partidas. Além disso, pela primeira vez, a seleção foi campeã e teve o artilheiro da Copa do Mundo: Ronaldo, com oito gols.
O último goleador brasileiro nesta competição foi em 1950, no próprio Brasil, quando Ademir Menezes fez nove gols na campanha do vice-campeonato. Ronaldo ainda quebrou uma escrita na edição 2002: desde a Copa de 1978, seis gols era o número de gols do artilheiro.
Com isso, os brasileiros só poderão perder a supremacia no futebol em 2010. Estão com dois títulos à frente da Itália e Alemanha, sede da competição em 2006.
No primeiro encontro entre as duas maiores forças do futebol na história das Copas, o Brasil confirmou a supremacia mostrada nos amistosos, quando venceu 11 dos 18 encontros. Enquanto o time brasileiro iniciou a decisão com a formação ideal do técnico Luiz Felipe Scolari Ronaldinho voltou de suspensão , a equipe de Rudi Voller tinha a ausência de Ballack, que tomou o segundo cartão amarelo na semifinal diante da Coréia do Sul. Se por um lado os alemães perderam a criatividade do meia do Bayer Leverkusen, ganharam o reforço da aplicação tática de Jeremies, seu substituto.
E a Alemanha, com um time bastante compacto, forçou a marcação da saída de bola brasileira e praticamente anulou o trio de erres no primeiro tempo, principalmente Rivaldo.
Com isso, as melhores chances do Brasil sobraram para o volante Kléberson, que tinha bastante espaço pela direita. Das seis chances de gols brasileiras, o jogador do Atlético Paranaense participou de três. Aos 7 minutos, apareceu sozinho pelo miolo da grande área, mas chutou fraco para fácil defesa do goleiro alemão. No lance mais perigoso, aos 44, Kléberson recebeu de Ronaldinho na entrada da área e mandou no travessão. Dois minutos antes, tentara, entre dois zagueiros, um chute rasteiro no canto esquerdo do gol alemão.
Sem reais chances de gol criadas, o time alemão priorizou sua principal jogada na Copa. Mas o trio de zagueiros, comandada pela eficiente atuação de Roque Júnior, não permitiu muitos sustos a Marcos.
O grande destaque ofensivo do Mundial, o trio de erres, trabalhou pela primeira vez só aos 18 minutos. Ronaldinho, o melhor deles na etapa inicial, recebeu no centro da grande área. Rivaldo abriu pela esquerda, e Ronaldo, pela direita, foi lançado e tocou no canto direito de Kahn.
Aos 29, Ronaldo sofreu falta. Enquanto reclamava de dores, tocou rápido para Ronaldinho, que o retribuiu na entrada da área. Na dividida com Linke, a bola sobrou para Kahn. O artilheiro do Mundial ainda teve outra grande oportunidade nos acréscimos: Roberto Carlos chutou forte cruzado da esquerda e, no rebote, Ronaldo escorou para defesa de Kahn com o joelho direito.
Na volta do intervalo, as duas equipes vieram sem modificações, mas a alemã entrou mais ligada. Em três minutos, perdeu duas chances que não havia criado na etapa inicial. No primeiro lance, Jeremies completou escanteio, mas a bola explodiu na zaga brasileira. Aos 4, em cobrança de falta da intermediária, Neuville fez Marcos praticar boa defesa. A bola ainda resvalou na trave esquerda.
Com a partida relativamente controlada, os alemães sofreram revés de onde menos esperavam. Aos 22 minutos, após briga pela bola por Ronaldo, Rivaldo chutou da entrada da área. Kahn, considerado o melhor goleiro da Copa, numa bola relativamente fácil de ser defendida, deu rebote nos pés do atacante da Inter de Milão: 1 a 0.
Em desvantagem pela primeira vez nesta competição, a Alemanha teve de fazer o que não sabe: jogar toda no ataque. Num contragolpe mortal brasileiro, porém, a seleção brasileira definiu o placar. Aos 34, Kléberson novamente pela direita tocou para Rivaldo, que deixou a bola passar por entre as pernas e deixar Ronaldo fazer 2 a 0, num chute cruzado no canto esquerdo.


