Em rápida passagem por Londrina, o atacante Élber, que encerrará a carreira ao final do Campeonato Brasileiro jogando pelo Cruzeiro, disse no último sábado que buscará meios para ajudar o Tubarão a partir do próximo ano, quando estará morando na cidade. A seguir os principais trechos da entrevista concedida pelo jogador do Cruzeiro à FOLHA.

FOLHA - Você está se mudando definitivamente para Londrina?

Élber - Já decidi que agora vou querer ficar por aqui. Na Alemanha foi bom demais, a França adorei também, apesar da minha passagem curta por lá, mas a minha terra sempre foi e será Londrina. Vou voltar para Belo Horizonte, pois tenho compromisso com o Cruzeiro até 3 de dezembro e depois disso retorno para Londrina em definitivo.

FOLHA - Falou-se na sua ida para o Corinthians em 2007. Alguma coisa pode fazê-lo rever a decisão de encerrar a carreira?

Élber - Não. Nem a proposta do Corinthians, que realmente houve. Eu não tenho interesse, porque até tenho mais um ano de contrato com o Cruzeiro, embora eu não vá cumpri-lo. Falei com o (Zezé) Perrella (presidente) e com outros dirigentes sobre a minha situação. Disse que não tenho como ficar mais um ano lá. Não posso corresponder dentro de campo com as expectativas, por causa da lesão que tive (no tornozelo). Ela voltou a surgir durante o Campeonato Brasileiro, o meu rendimento estava caindo e eu sendo bastante criticado, com razão. Afinal, se o jogador está ali dentro de campo, o torcedor espera que esteja 100%, nem sabe se o cara está no sacrifício... Então eu permaneci na equipe porque o Oswaldo (de Oliveira, técnico) pediu que eu continuasse, porque é um time de garotos e a pressão estava grande, já havíamos perdido umas seis ou sete partidas... Se não fosse isso eu já teria pendurado a chuteira antes. Agora, terminando o campeonato, venho pra cá.

FOLHA - Você havia planejado encerrar a carreira de outra forma?

Élber - Lógico que não foi como eu esperava, parar com uma lesão. Gostaria de estar dando o máximo dentro de campo. Mas são coisas que acontecem com um jogador. Essa lesão no tornozelo foi a que mais me prejudicou, complicou bastante, principalmente aqui nos campos brasileiros, que são muito duros e irregulares. Eu estava saindo do campo sempre com dor e concluí que não valia a pena.

FOLHA - Gostaria de ter encerrado em outro clube?

Élber - Às vezes eu pensava se seria legal encerrar no Londrina ou na Europa... Aí pintou essa proposta do Cruzeiro e como eu nunca tinha jogado um Campeonato Brasileiro imaginei que fosse uma boa. Mas daí vi na prática a dificuldade que é disputar um Brasileiro. Por isso é que continuo dando força para os garotos que querem sair. Porque o campeonato aqui muito difícil e também desorganizado. Lá na Europa não se joga em campos ruins assim. É uma pena o Brasil estar neste nível...

FOLHA - Você pensa em continuar no futebol, em outro cargo?

Élber - Tenho coisas particulares para cuidar aqui e também na Alemanha e volta e meia vou ter que viajar para lá. Tenho um bom nome na Alemanha e fico feliz de aparecem propostas para trabalhar lá no futebol. O Bayern de Munique me chamou para trabalhar de olheiro, mas não quis porque teria que viajar pelo mundo inteiro e agora quero ficar com a família.

FOLHA - Já pensou em investir no Londrina?

Élber - Tudo ao seu tempo. Agora morando aqui, acompanhando o Londrina, ficará mais fácil eu ver essas coisas. Porque de longe fica difícil você falar que vai investir... Ajudar eu quero sim, assim como penso em ajudar o Bayern, o clube em que sempre joguei. E eu nunca esqueci do Londrina. Agora, próximo, ficará mais fácil de ver se tem recursos para tentar trazer para o clube. Pelo conhecimento que eu tenho no Brasil e fora do País, acho que posso achar boas pessoas, bons investidores para ajudar o nosso time. Porque eu vejo que é uma vergonha para a cidade o que está acontecendo com o time. Eu li no jornal sobre essas intervenções, essas penhoras que estão havendo...Isso me deixa bastante triste e espero que agora, estando aqui, consiga ajudar.

FOLHA - Um jogo festivo de despedida aqui está no programa?

Élber - Não é difícil de realizar, não. Dá para eu chamar alguns jogadores que atuam no País e também de fora do Brasil para a gente fazer uma bonita festa para o torcedor.

mockup