Élber reclama de critérios desiguais
Totalmente recuperado de uma contusão que tirou as suas chances de ir à Copa, atacante do Bayern descansa em Londrina
Nelson Cilo
Arquivo Folha No dia em que Zagallo divulgou a lista oficial dos jogadores da Seleção Brasileira para o Mundial da França, o londrinense Élber, um dos esquecidos, não reclamou. Afinal, embora estivesse recuperado, o atacante do Bayern Munique já previa que a contusão no ombro poderia prejudicá-lo na concorrida briga por uma vaga na Copa. ‘‘Como não pude enfrentar a Argentina, me preparei para ficar fora do Mundial’’, diz ele.
Na mesma semana em que Zagallo confirmou os nomes que iriam à França, Élber, já recuperado, marcou os dois gols da vitória do Bayern sobre o Borussia na última rodada do Campeonato Alemão. Pouco depois, ajudou seu time a conquistar a Copa da Alemanha. ‘‘Não marquei nenhum, mas participei diretamente dos dois gols contra o Duisburg’’, recorda.
TranquilãoÉlber, defendendo a Seleção, e aproveitando as férias em Londrina (foto menor): sem mágoasNem a certeza de que estava bem fisicamente serviu de pretexto para que o artilheiro criticasse Zagallo ou o médico Lídio Toledo. No entanto, ao constatar que Romário receberia tratamento privilegiado, Élber reagiu. ‘‘Mágoa? Não. Eu diria que estou chateado. Zagallo usou critérios desiguais. Nem quero usar meu caso como exemplo. Mas, se levaram o Romário deveriam dar a mesma chance para outros jogadores. O Juninho, por exemplo: o médico esteve na Espanha, viu que ele estava bem e tal...Ele poderia ir à Copa. Todo mundo acompanhou a luta do coitado para se recuperar. Mas não adiantou nada’’, critica.
Quanto às chances do Brasil na Copa, Élber prevê dificuldades, inclusive na estréia, diante da Escócia. Mas acha que prevalecerá o talento dos tetracampeões. ‘‘Podemos ganhar o penta, mas é preciso muito cuidado’’, alerta. ‘‘Na primeira fase, creio que a Noruega será nosso adversário mais difícil’’. Entre os favoritos, além do Brasil, Élber aponta Alemanha, França, Argentina, Inglaterra e Itália. Como possível surpresa, a Nigéria. Ele não acredita na Espanha.
Agora Élber prefere esquecer ressentimentos e curtir a família durante as férias iniciadas há uma semana em Londrina. Entre as visita aos amigos, a agenda de Élber não dispensa a habitual assistência à creche da Escola Pestalozzi, que ele (como presidente da instituição) e um grupo de alemães mantêm no Jardim Franciscato. São atendidos mais de 250 menores carentes. Aquele ambiente o emociona. Na quarta-feira, na hora da ceia com as crianças , o craque não resistiu e chorou.

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