O jogador londrinense Giovane Elber de Souza, de 33 anos, deve decidir esta semana se aceita o convite do Cruzeiro. Depois de 15 anos na Europa, ele se desligou do Borussia Monchengladbach este mês. De olho no atacante desde setembro, o Cruzeiro poderá trazê-lo já no início de 2006.
  Elber pediu prazo para refletir sobre a oportunidade. ‘‘Pode ser que eu resolva tudo logo. É preciso colocar as coisas na balança pois quero deixar uma porta aberta lá fora também.’’ Durante a semana, o jogador esteve em Belo Horizonte a convite do presidente do clube. Ele voltou a Londrina para passar as festas de fim de ano com a família.
  Elber confidenciou o seu passado profissional e o seu presente promissor ao radialista Ricardo Spinosa, da Paiquerê FM, em uma entrevista na última quarta-feira, na casa do atacante em Londrina.
Vários títulos
  Durante os 15 anos em que esteve jogando na Europa, o craque destacou os vários títulos conquistados. Só em Munique, no Bayern, por exemplo, foram cinco campeonatos e quatro copas, além de outros como Copa Suíça, Copa dos Campeões e Copa Intercontinental, além de artilheiro na Suíça e na Alemanha. Enquanto jogou no Bayern de Munique, Élber chegou a ser o melhor artilheiro estrangeiro na Bundesliga (Campeonato Alemão), com 133 gols. ‘‘É claro que um jogador quer vencer, mas não imagina conquistar tantos títulos’’, ressaltou.
  Quando questionado se treinador ganhava jogo, Elber respondeu que sim. ‘‘Sem dúvida, o treinador pode mudar uma peça dentro do campo que pode ser fundamental para a vitória, como também pode mudar uma peça errada e o tiro sair pela culatra.’’
  Ele concordou que o jogador é a peça-chave do jogo e que nem sempre a orientação do técnico na beira do gramado, por melhor que seja, é seguida pelo atleta. ‘‘O jogador até tenta seguir a recomendação mas a atitude do jogador depende do jogo naquele momento. Daí a importância de ser rápido, criativo e prático. Esquema e comando só funcionam quando a equipe está entrosada, buscando a mesma jogada.’’
Jogadores
estrelas
  O que muitas vezes prejudica o desempenho da equipe em campo são os jogadores que se acham estrelas, lembrou Elber. ‘‘Muitos não gostam de passar a bola para certos parceiros, por medo de repente do outro se destacar mais na partida. Infelizmente tem jogadores que se acham estrelas e a concorrência é grande e existe. Cada passe é disputado. Aconteceu comigo no Lyon, na França. Na época abri até para a imprensa. Parece que o jogo está contra voc꒒, desabafou.
  Curioso é o recuo do jogador diante de um juiz. O jogador não xinga, não fala palavrões, ao contrário do que parece acontecer. ‘‘Na Europa, uma expulsão implica entre quatro e oito jogos de suspensão. Não dá. O que acontece muito é o jogador falar o popular ‘merda’, mas sempre com o rosto virado, jamais encarando o juiz.’’
Na seleção
  Elber falou das vezes que vestiu a camisa da seleção brasileira e da sensação de fazer parte dos melhores jogadores do País. Foram sete gols em cerca de 20 convocações. ‘‘É gratificante saber que milhares de jogadores gostariam de estar ali, fazendo parte daquele grupo. Você sente o peso da ‘amarelinha’ estampado na cara dos adversários. Eles tremem, batem os joelhos, se desesperam com a seleção brasileira.’’
  Quanto aos momentos de glória e de tristeza em sua carreira, o atacante lembrou do dia em que seu time, o Bayern, conquistou a Copa dos Campeões, em 2001. ‘‘Fomos recebidos como reis em Munique. Milhares de pessoas saíram às ruas para nos saldar.’’ E os piores momentos para Elber foram as graves lesões que teve.
LEC, onde
tudo começou
  Elber se emocionou ao falar de Londrina e confessou que quando está aqui, no Brasil, sempre que possível passa de carro pelo Estádio do Café, para matar as saudades. ‘‘Se pudesse faria tudo de novo. Comecei jogando no Londrina Esporte Clube, no carinhoso Tubarão, de pés descalços.’’
  Foi no Tubarão que a vida do atacante fluiu. A mãe de Elber guarda a primeira camisa que o atacante vestiu do Londrina. ‘‘Vou ter que negociar com ela aquela camisa, que hoje encontra-se em moldura pendurada na parede do apartamento dela, que dá vista para o Estádio do Café.’’
  Ele fala que jamais vai esquecer do Londrina, do Estádio do Café, da despedida do Carlos Alberto Garcia, que o convidou para jogar naquela partida, que tinha Zico do outro lado do campo. ‘‘Mesmo sabendo que as pessoas daquela época já não estão mais, a lembrança é muito forte.’’

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