Depois de dois anos marcados por atuações apagadas e contusões, o atacante londrinense Élber reencontrou a felicidade e justamente no Brasil, onde ele não tinha intenção de jogar. Em entrevista à Folha no ano passado, o artilheiro disse que não queria encerrar a vitoriosa carreira no Brasil. ‘‘Não quero que falem que só estou ‘roubando’’’, disse na época. No fim de 2005, mudou de idéia. ‘‘Falei mesmo. Pensava nos clubes do Rio, que não pagam ninguém. Mas vi que aqui (no Cruzeiro) é diferente’’, explicou Élber ontem, por telefone, em entrevista à Folha. ‘‘É um clube que onde entra quer ganhar títulos e encaixa na minha filosofia. Onde fui ganhei títulos também’’.
  E foi a estrutura do Cruzeiro que convenceu o jogador a voltar ao Brasil. ‘‘Sempre me falavam na Europa que se fosse para voltar teria que ser para Cruzeiro ou São Paulo, que têm estrutura igual aos clubes europeus. Nenhum clube europeu tem estrutura que o Cruzeiro tem’’, revelou o atacante que também foi sondado por São Paulo, Santos e Palmeiras.
  E o retorno não poderia ter sido melhor. Logo em sua primeira competição, o Campeonato Mineiro, já foi campeão. Passou por um momento ruim, ficou seis jogos sem fazer gols, mas desencantou na quarta-feira ao marcar três dos quatro gols da goleada sobre o Vitória, no Mineirão, pela Copa do Brasil.
  O último gol de Élber havia sido marcado contra a URT, dia 12 de março, na última rodada da primeira fase do Mineiro. O jogador passou em branco nos jogos finais do Estadual contra Atlético-MG e Ipatinga e na derrota celeste no jogo de ida contra o Vitória. ‘‘Passei seis jogos sem fazer gols e a cobrança estava começando, mas isso não me assusta’’, comentou.
  Élber chegou aos 11 gols em 17 jogos com a camisa celeste e já é o artilheiro do time na temporada. ‘‘Esse retorno foi melhor do que eu pensava. Não esperava uma adaptação tão rápida, fazendo gols e sendo campeão em apenas três meses’’, comemorou. ‘‘Esse primeiro título foi maravilhoso, lembrei do meu primeiro título na Europa, na Suíça, em 91’’.
  Élber saiu do Brasil em 1990, trocando o Londrina pelo Milan. Foram 15 anos nos gramados europeus e pela primeira vez disputa o Brasileirão. Na estréia, o Cruzeiro perdeu para o São Caetano por 2 a 1 e o atacante já fez uma constatação. ‘‘Tinha 1,2 mil pessoas no estádio. É muito diferente da Europa. Nem em jogos da Quarta Divisão tem públicos tão baixos’’, comparou.

  Realidade – Outra diferença ruim no futebol brasileiro são os estádios. Acostumado com praças esportivas totalmente modernizadas, com bons gramados e estrutura confortável, Élber conheceu a realidade do futebol brasileiro. ‘‘São gramados ruins, tem campo que é terrível mesmo. Mas sabia que encontraria isso e não dá para ficar comparando’’, lamentou.
  O artilheiro apontou dois contribuintes para sua boa fase no Brasil: o técnico Paulo César Gusmão e o atacante Gil. ‘‘É bom demais jogar com o Gil. Depois de velho poder jogar com um garoto bom como ele’’, comemorou.

mockup