Elano: 'Olho para trás e me sinto muito envergonhado'
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domingo, 29 de abril de 2012
Agência Estado 
Elano quer colocar o Santos na final do Paulista, mas, mais do que o tricampeonato, a maior vitória foi a recuperação como homem. Depois de dar fim ao seu casamento, engatar um namoro conturbado com a atriz Nivea Stelmann e se reconciliar com sua esposa Alexandra, o meia se diz recuperado ao estadão.com.br e pronto para fazer bem o seu papel. Até os ensinamentos do técnico Emerson Leão, rival hoje, foram importantes para ele retomar o rumo.
Você se vê como o carrasco do São Paulo?
Não coloco que é contra o São Paulo. Eu fico feliz que na minha trajetória no futebol tenho bons resultados em jogos importantes, decisivos... E esse é mais um. Eu estou concentrando, me preparei bem para este momento. Eu quero fazer o melhor para o Santos.
O Santos leva desvantagem por ter atuado na semana, enquanto o São Paulo teve o jogo adiado?
Há um desgaste, foi um jogo duro e é desunamo atuar na altitude. O jogador sente muito, principalmente no segundo tempo para frente. Mas eu acredito nestes jogadores, na recuperação para chegarmos 100% para o clássico. Nós somos uma equipe acostumada com dificuldades, com jogos importantes. No ano passado, foi assim e conseguimos superar isso.
Qual o tamanho da ausência do Luis Fabiano?
Meu respeito pelo Luis e pelo São Paulo é muito grande. Sempre fui bem tratado lá quando jogava na Europa. Eu me curei de algumas lesões no clube, tenho muitos amigos lá. O Luis é um desfalque muito importante. Mas temos de respeitar o garoto (Willian José) que está entrando no time, que tem feito muitos gols. Claro que se trata do Luis Fabiano, mas vamos procurar marcar o seu substituto da mesma maneira.
E como será enfrentar o Leão?
É uma pessoa que considero muito. Ele foi muito importante na minha carreira. Eu o respeito muito, o tenho como amigo. Mas como eu disse para ele da outra vez: professor agora não tem jeito! Vou fazer o melhor para que possamos vencer.
O que aprendeu com ele?
O Leão sempre me passou muitas coisas positivas. Ele comentava comigo que quando as coisas não estão dando certo você precisa sair um pouco de cena, voltar às origens, lembrar o que foi feito de bom no começo, ter disposição... Aprendi muito como ser humano. É um cara que me ajudou muito.
De fato, você saiu um pouco de cena quando não estava bem...
O ano passado foi maravilhoso, com o título paulista, quando fui artilheiro, da Libertadores, mas também com lesões e eu não estava acostumado a conviver com isso.Não tive boas atuações e, no começo deste ano, eu estava me prejudicando por causa disso. Eu tive que me retirar mesmo, sair um pouco de cena, porque eu precisava me preparar melhor. Hoje eu voltei ao meu normal, fisicamente, mentalmente... Me sinto preparado para fazer tudo o que estou acostumado. Já pude fazer isso nos últimos dois, três jogos.
O que mais pesou?
Tudo. O extracampo, as lesões, a preparação para a vida do atleta. Eu estava fazendo muita coisa de maneira errada. Aprendi muito com tudo o que aconteceu comigo. Pessoas importantes se aproximaram de mim, querendo apenas me ajudar, deram um ombro amigo. Tenho que agradecer a Deus porque está sendo uma vitória muito gostosa. É uma vitória pessoal estar voltando a ser titular, reconquistando tudo aquilo que eu tinha.
É como se costuma dizer: mente sã, corpo são...
Vou além. A maior vitória do ser humano é a paz interior. Quando não está bem com você, dificilmente as coisas saem da maneira que você quer. Quando você está se sentindo completamente inteiro, no caminho certo, agindo da maneira certa, o seu trabalho vai fluir da melhor maneira possível.
Qual foi a pessoa mais importante na recuperação?
A minha esposa, Alexandra. Ela foi fundamental. Sem comparações com a minha mãe, porque só temos uma, mas ela é uma pessoa que preciso pedir perdão todos os dias. Foi ela quem olhou para mim é disse que estava comigo, que iríamos reconstruir tudo novamente juntos. Eu olho para trás e me sinto muito envergonhado. Não quero brigar, não quero voltar atrás, eu quero dar a ela a alegria que ela sempre mereceu. Ela foi uma mulher como poucas, que merece ser exaltada pelo resto da vida por mim. É uma peça importantíssima na minha vida.
E suas filhas?
Eles sofreram muito, eu também sofri muito. Foi tudo muito difícil. Por isso, hoje é uma vitória. As minhas filhas chegam da escola sorrindo e eu sempre trago um pirulito para dar para elas. É apenas um pirulito, mas você precisa ver a alegria delas. Não ficam mais doentes. Hoje eu convivo com elas diariamente, vou à praia de bicicleta com elas. Isso é o normal, mas, às vezes, você se perde e sai da normalidade.
O problema é que você esqueceu de ser atleta?
Não que esqueci. É que você passa a ter tantos problemas extracampo, que você acaba fazendo menos aquilo que você tem obrigação. Você acaba fazendo tudo com pressa no trabalho. A minha prioridade precisa ser o futebol, não posso ter pressa para fazer o meu trabalho. E hoje eu sinto isso novamente.
Você passou a treinar mais?
A gente treina um pouco menos quando não está atuando. Eu fazia o meu treino, muito bem feito com o Muricy, mas eu sentia que precisava de um complemento. Eu tenho dois amigos, o Belo e o Vinícius, que são uma dupla de futevôlei aqui de Santos. Então eu chegava do treino, me trocava, jantava e, quando dava umas 20h30, eu ia para a praia e ficava até mais ou menos umas 23h30. Eu usava isso para ganhar força, para suar, eu me alimentava menos e treinava mais. A Sandra, que é nutricionista, me passou uma dieta. A cozinheira preparava para mim. Eu perdi quatro quilos em 20 dias. Ganhei força, resistência... Hoje estou muito bem e pronto para atuar em alto nível até dezembro.
Tudo voltou ao normal então?
Quando você volta a ter essa preparação, este grau de concentração, essa saudade de jogar... Nós, atletas, precisamos estar focados, ter o descanso... Eu estou muito bem agora e acho que tem muitas coisas boas ou até melhores me esperando. Por isso, eu agradeço a Alexandra e a outras pessoas maravilhosas, como o Muricy, que foi muito importante. Saíram muitas coisas dizendo que tínhamos brigado, mas nunca tivemos problema. Ele foi igual um pai, me deu conselhos. Tem muita gente para agradecer.
Você considera que já deu a volta por cima, ou ainda faltam os títulos paulista e da Libertadores?
Já sim. Eu dei a volta por cima. Novamente me sentir como eu estou é uma vitória. Claro que tem um grande jogo domingo e queremos o título, mas estou muito feliz


