A oposta Tiffany era Rodrigo até 2014, quando iniciou a transição do sexo masculino para o feminino. Como homem, disputou a Superliga B pelo Juiz de Fora-MG em 2010 e foi o maior pontuador da equipe, que subiu para a primeira divisão naquele ano. Passou também por Bélgica, Espanha, Holanda, Indonésia e Portugal. Rodrigo também atuou no vôlei paranaense, onde vestiu a camisa do Foz do Iguaçu.

Após concluir a transição – aliada à redução no nível de testosterona –, Tiffany recebeu a permissão para atuar no esporte feminino em janeiro de 2017. Logo que foi liberada para entrar em quadra pela FIVB, foi à Itália para defender o Golem Palmi, da segunda divisão local. Em julho, voltou ao Brasil para aprimorar a forma física no Vôlei Bauru. Após quatro meses de treinamentos, foi liberada pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e pelo COI e assinou contrato com a equipe para a disputa do campeonato nacional.

"Quando ela assumiu entrar na Superliga, passou por um processo muito rigoroso. Ela realmente é um espelho para muitas pessoas, é uma pessoa trans que está em alto nível. Ela influencia jovens trans que não conseguem se assumir, se externar", afirmou Mark Sales, 25 anos, auxiliar administrativo e integrante do Movimento Construção, maior coletivo LGBT de Londrina. A própria atleta já apontou que, se for necessário, seja criada uma espécie de "cota trans" para que mais jogadoras nesta condição possam ter a mesma oportunidade. (M.C.)

mockup