Com um tênis para ser campeão - sem ser bonito, mas eficiente -, Gustavo Kuerten derrotou ontem o holandês Sjeng Schalken, 63º do ranking mundial, por 3 sets a 0, parciais de 6/2, 6/4 e 6/3, em 1h36, e já garantiu sua classificação para as oitavas-de-final do torneio de Roland Garros. O jogo de Guga lotou a quadra central, com capacidade para 16 mil pessoas, revelando sua popularidade na França. E o brasileiro não dececpionou: mostrou um jogo impecável, sem dar chances para o adversário. Na próxima rodada, apenas na segunda-feira, Kuerten vai enfrentar o checo Bohdan Ulihrach, 40º do ranking e jogador de golpes muito fortes.
A situação de Kuerten na competição, para esta segunda e decisiva semana de Roland Garros, está teoricamente bem mais tranquila do que para os outros favoritos. Do seu lado da chave aparerecem poucas estrelas, enquanto no outro estão Marcelo Rios, Carlos Moya e Andre Agassi.
Kuerten não quer desperdiçar a oportunidade de uma boa campanha em Roland Garros. Por isso, em seu jogo diante de Schalken investiu na eficiência. Deixou de lado os golpes mais bonitos e fortes, para controlar os pontos e buscar a definição na hora certa. Guga mostra assim um tênis mais inteligente, estratégico, embora tenha afirmado que jamais vai desistir de sua característica de correr riscos, tentando as bolas mais longas e difíceis.
Com o resultado de 3 a 0 diante de Schalken, Gustavo Kuerten não conseguiu mais enconder o otimismo, que tanto vinha disfarçando para fugir da euforia e do clima de entusiasmo. Mas, depois da boa atuação na última rodada, admitiu estar no melhor de sua forma e espera ainda melhorar a cada jogo.
‘‘Estou no meu melhor momento do ano e, quem sabe, de toda minha vida’’, afirmou Kuerten. ‘‘Espero jogar melhor ainda a cada partida, pois os jogos vão ficando cada mais difíceis.’’ Guga revelou ainda que esta sua atual boa fase é formada por uma série de boas coisas: confiança em seu jogo, sorte e oportunidades.
Kuerten acha que as duas primeiras mostrou em sua partida diante de Schalken e as chances não quer deixar escapar, ainda mais num torneio como Roland Garros. ‘‘Espero continuar assim, jogando da maneira como mostrei contra o Schalken’’, disse. ‘‘Acho que não dei chances e passei por cima dele (Schalken) no terceiro set.’’
A quadra central de Roland Garros nunca esteve tão verde e amarela como neste sábado para o jogo de Kuerten com Schalken. Nos camarotes, gente famosa em Paris, como Ocimar Versolatto; nas arquibancadas, crianças com bandeiras e muitos brasileiros. ‘‘É gostoso ver a torcida brasileira em Paris’’, disse Kuerten. ‘‘Antes, só alguns que estavam passeando por Paris aproveitavam para ver um jogo, mas, hoje em dia, acho que muita gente vem especialmente para ver o torneio.’’
Campeão de Roland Garros em 1997, Guga torceria como nunca, ontem à tarde, por uma vitória de Fernando Meligeni, seu companheiro na equipe brasileira na Copa Davis, contra o australiano Patrick Rafter. Com Rafter fora, Guga poderia, com o título, chegar à cobiçada posição de número 1 do ranking mundial da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). Até as 14 horas de ontem, Meligeni vencia Rafter por dois sets a 0 (6/4 e 6/2).

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