Efeito dominó
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quarta-feira, 14 de junho de 2006
Pedro Motta Gueiros<br> Agência O Globo 
Konigstein - Com linhas distantes e um grande espaço no centro, o Brasil foi um time quadrado em sua estréia. Apesar da orientação de reter a bola no campo do adversário, a teoria e a prática ficaram desencontradas como o meio-campo e o ataque. Enquanto Parreira mantém suas conviccões e o quarteto ofensivo, quem tem recuado é o time.
A necessidade de os jogadores se sacrificarem pelo esquema tem sido obedecida dolorosamente. Enquanto Kaká se desgasta como um fundista por todo o campo, Ronaldinho perde sua agressividade ao voltar para inciar as jogadas. Perto da zaga, Zé Roberto enxerga de frente os problemas a serem corrigidos: ''Como nossa formação é muito ofensiva, temos difculade de agrupar o time quando perdemos a bola. O recuo da minha parte e do Emerson faz com o que o Ronaldinho e o Kaká venham buscar para sair rápido'', disse, antes de reconhecer a dificuldade de o time manter posse de bola ofensivamente. ''Às vezes se torna difícil. Com a nossa volta e a deles, a gente acaba ficando mais longe do gol do adversário''.
O efeito dominó vem da frente para trás. Ao contrário das orientações, foram poucas as vezes em que os atacantes ficaram antes da linha da bola quando a Croácia saía para o ataque. Com apenas Kaká no meio, Emerson e Zé Roberto se desdobravam na proteção dos laterais e zagueiros. ''São momentos no jogo em que temos a consiciência de que precisamos melhorar'', disse Zé Roberto.
No segundo tempo, a entrada do Robinho corrigiu isso. Com sua movimentação, o atacante aproximou mais o meio-campo do ataque. A defesa croata, que estava plantada como os dois atacantes do Brasil, teve que sair para dar combate. E os espaços aumentaram. ''Entrei com a orientação de voltar na marcação porque a gente estava sofrendo um pouco de pressão e de tentar encostar no Adriano'', disse Robinho.
Briga pela vaga Mais do que as defesas adversárias, o atacante quer abrir espaço para se tornar titular. Apesar do respeito por Ronaldo e Adriano, Robinho é um reserva diferente. ''Encosto mais no Ronaldinho para tentar tabelas, quando eu entro fica mais movimentado. Mas o Parreira tem várias táticas. Tudo é possível com tempo de trabalho e entrosamento'', disse o atacante, que não parece muito disposto a esperar. ''Tenho que me preparar para jogar sempre. Mas se ficar no banco, vou torcer pelo Ronaldo e o Adriano''.
No primeiro jogo, o quarteto mágico fez a ilusão ofensiva desaparecer. O Brasil deu 13 chutes, sendo apenas seis na direção do gol. Cada time teve os mesmos 32 minutos de posse de bola.
Apesar da importância que Parreira dá ao jogo coletivo, seu time foi salvo pelo talento de Kaká. Craque e sacrifício geralmente jogam em posições diferentes, mas o esquema está invertido. Em vez de minar as forças individuais, a organização tática deve tirar o melhor de cada um. Diante do efeito dominó visto na estréia, Parreira precisa reeguer suas peças. De frente para trás.


