'Efeito Djokovic' ainda não refletiu no Brasil
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terça-feira, 17 de maio de 2011
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
O mundo do tênis vem sendo surpreendido desde o início da temporada. Quando todos achavam que o espanhol Rafael Nadal era imbatível, eis que surge um fenômeno sérvio para derrubá-lo. Novak Djokovic chegou à 39 vitória seguida e bateu o espanhol número 1 do mundo nas últimas quatro decisões que disputaram. A distância que separa Nadal para Djokovic diminuiu para 405 pontos e o sérvio pode assumir a ponta já em Roland Garros.
Para o presidente da Federação Paranaense de Tênis (FPT), José Guilherme Danelon, o tênis vai continuar surpreendendo. ''O tênis está em evolução constante'', disse.
A fase cada vez mais espetacular das novas gerações de tenistas, no entanto, não aumentou o número de novos praticantes, principalmente entre a garotada. ''O Brasil nunca teve tantos meninos do juvenil entre os primeiros no mundo, mas não houve aumento no número de praticantes. Aparece mais se surgir um brasileiro bem. Quando o Guga surgiu foi surpreendente'', lembrou o dirigente. Para ele, se Thomas Belucci continuar evoluindo, pode ser esse impulsionador.
Entretanto, outro fator pesa para não aumentar o número de tenistas: a falta de espaços públicos para jogar. ''Nós temos 114 quadras em Londrina, sendo 17 cobertas em Londrina, onde se ensina a jogar tênis. Porém, todas estão em espaços particulares, como clubes, condomínios e academias. Infelizmente, não temos nenhuma quadra pública'', lamentou Danelon, usando o exemplo de Londrina, onde há, segundo dados da FPT, aproximadamente 5 mil tenistas. No ano passado, segundo Danelon, a FPT organizou 92 torneios oficiais e realizou 14 mil jogos.
Djokovic
Como explicar este novo fenômeno do tênis? Para o presidente da FPT, os resultados obtidos por Novak Djokovic, 23 anos, fazem parte de um mix que envolve trabalho, dedicação, competência e talento.
''Ele trabalhou para isso a vida inteira. Procurou a sintonia fina para ganhar de dois ou três que estavam na sua frente. Hoje, encontrou isso e está batento o Nadal no território dele, o saibro, onde é rei'', afirmou Danelon.
De acordo com o dirigente e professor de tênis, a autoconfiança também é muito importante na modalidade. ''Quando o tenista atinge um determinado nível de confiança, se torna praticamente imbatível. O Nadal era assim no saibro e pegou um cara que destruiu os pontos fortes dele e dentro do território dele. Isso o abalou e deu confiança ao Djokovic'', avaliou. ''O Nadal minou o (Roger) Federer jogando bolas altas na esquerda dele. Já o Djokovic troca bolas longas com o Nadal sem pressa de matar o ponto e força mais o espanhol. Pura estratégia e ousadia e só quem tem essa competência para fazer'', apontou Danelon.
No mês passado, o campeão do Aberto da Austrália e dos torneios de Dubai, Miami, Indian Wells, Madri e Roma afirmou que a mudança na alimentação imposta pelo médico Igor Cetojevic, que entrou para sua equipe no meio do ano passado, melhorou bastante o seu preparo físico. O médico descobriu que Djokovic é alérgico ao glúten, entre outros alimentos e cortou pizza, massa, pão e massas em geral.


