'Efeito cascata' ameaça ambição do Palmeiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 31 (AE) - Os jogadores do Palmeiras estão no limite. Quem garante isso é o próprio técnico Luiz Felipe Scolari. A boa campanha que a equipe faz nas três competições que disputa (é finalista da Taça Libertadores da América e está nas semifinais do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil) dá a motivação que serve de combustível para os atletas superarem o cansaço. Mas Scolari teme que o Palmeiras possa ser arrasado por um "efeito cascata" e acabar sem nenhum dos títulos em disputa.
Foi o que aconteceu com o Cruzeiro no ano passado. O time mineiro já tinha perdido a final da Copa do Brasil no meio do ano e, em dezembro, chegou simultaneamente às finais do Campeonato Brasileiro e da Copa Mercosul. Os jogadores não suportaram o desgaste e o Cruzeiro acabou perdendo as duas competições.
"Nossos jogadores estão por aqui", diz Scolari colocando o dedo atravessado na garganta. "Estamos em situação parecida com a do Cruzeiro; as vitórias que estamos conseguindo é que mantêm o ânimo dos jogadores e a superação dos limites de cada um", acrescenta o treinador, lembrando que vitórias de virada como a mais recente, sobre a Portuguesa, dão novo impulso aos atletas, mas também aumenta o desgaste. "Quando perdem uma competição, os jogadores perdem a confiança e o preparo físico decai", destaca o técnico.
Scolari espera que os atletas mantenham a motivação. Para evitar o relaxamento, o técnico lembra que o Palmeiras ainda não ganhou nada.
"Se não formos campeões, para o torcedor não vai ter adiantado nada todo este sacrifício." O próprio treinador está entre o céu e o inferno. Seu contrato com o Palmeiras terminou oficialmente hoje. O acordo prevê uma prorrogação automática até o término das competições vigentes. Scolari diz que até o fim do mês não vai falar sobre seu futuro. "Se ganharmos a Libertadores, é a diretoria do Palmeiras que vai ter de dizer se quer que eu continue para depois eu analisar se fico ou não", explica.
O maior problema do treinador para a partida de quarta-feira contra o Deportivo Cali, na Colômbia, está na defesa. Cléber não viaja com a delegação. Júnior Baiano está praticamente recuperado de uma lesão na coxa esquerda e deve jogar.
A novidade na equipe será a volta do lateral Júnior, que não jogou as duas partidas da Libertadores contra o River Plate por estar suspenso.
Júnior acha que o Deportivo vai tentar abrir uma boa vantagem nessa partida, como fez em toda a competição. "Eles vão arriscar tudo nesse jogo na Colômbia", aposta o lateral. O Deportivo ganhou as seis partidas que fez em casa. Nos jogos como visitante, empatou uma vez e perdeu cinco. "Se perdermos por 1 a 0 podemos reverter o placar no jogo em São Paulo", admite o meia Alex.
Os palmeirenses acham que não sofrerão nenhum tipo de pressão extracampo. "Joguei uma final e uma semifinal de Libertadores na Colômbia com o Grêmio e fomos muito bem recebidos", lembra Paulo Nunes. Os jogadores não sabiam do sequestro ocorrido no domingo, em uma igreja em um bairro elegante de Cali, onde cerca de 150 foram feitas reféns pelo Exército de Libertação Nacional (ELN).


