Edmundo é velho freguês, diz relator
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Embora raras vezes tenha comparecido às sessões do Tribunal Especial (TE) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Edmundo é um velho conhecido dos auditores. Amanhã pela manhã, o craque do Vasco da Gama será julgado pela décima-primeira vez na carreira. A sua ficha, anexada ao processo, é uma das mais extensas do arquivo da entidade. Posso dizer que o Edmundo é meu amigo íntimo, um freguês do Tribunal, afirmou Edson Francez, escolhido para atuar como relator do processo.
Julgado pela primeira vez no dia 4 de maio de 1993, o artilheiro foi suspenso por 120 dias, por agressão ao árbitro (artigo 228 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol). O Vasco recorreu ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), a exemplo do que pretende fazer amanhã, se o atacante for punido pelo TE. O STJD anulou a punição.
No dia 19 de outubro do 93, Edmundo voltou a ser suspenso, por dois jogos, depois convertidos em multa, por ofensas morais ao árbitro (artigo 235). Ele apareceu novamente na pauta de julgamento, no dia 3 de novembro do mesmo ano, por ato de hostilidade (309). Pegou um jogo de suspensão.
O jogador continuou visitando o Tribunal. Em 94, foi julgado duas vezes: no dia 3 de novembro, por atitude inconveniente (337) e vias de fato (310), com 30 dias e mais quatro dias de suspensão; e no dia 25 do mesmo mês, por vias de fato e por assumir atitude contrária à moral ou à disciplina (314), com pena de 40 dias e três partidas.
Edmundo foi suspenso por 30 dias, outra vez, no dia 14 de novembro de 1995 (artigo 337); multado em R$ 18,00, no dia 3 de dezembro de 96; suspenso por quatro jogos, em 22 de abril de 97, pena reduzida para dois jogos no STJD; absolvido em 5 de agosto do mesmo ano e multado novamente, em R$ 75,00, em 9 de setembro. Para o relator Edson Francez, é um processo corriqueiro, muito simples. Como está tudo narrado na súmula do árbitro goiano Antônio Pereira da Silva, ele disse que é só relatar os fatos ocorridos na partida entre Palmeiras e Vasco, domingo, no Morumbi, quando Edmundo e o técnico Luís Felipe, do Palmeiras, foram expulsos.
A situação do técnico do Palmeiras, Luís Felipe Scolari, não é muito diferente, embora sua ficha possa parecer modesta se comparada à do adversário vascaíno. O treinador foi julgado três vezes: suspenso por 20 dias no dia 30 de novembro de 93, por invasão de campo (335); por 30 dias, no dia 13 de junho de 95, por dar ou transmitir instrução dentro do campo ou assumir atitude inconveniente (337); e absolvido, no dia 31 de dezembro de 96, da acusação de ter ofendido moralmente o árbitro (235).
Os advogados do Vasco traçaram a estratégia para defender Edmundo, ontem. Não vamos revelar nada; tudo o que disserem é mera especulação, afirmou o vice-presidente jurídico do clube, Paulo Reis. O clube levará uma tropa de choque para o TE. Além de Reis, terá João Carlos Ferreira, ex-presidente do STJD, e Custódio Oliveira Neto. Otimistas, eles procuraram deixar o craque tranquilo. Edmundo foi orientado a se preparar para jogar. O Palmeiras contratou os serviços de José Mauro do Couto, um dos advogados do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.


