Apesar da fala mansa e do esforço para demonstrar que não é mais um jogador problemático e temperamental, o atacante Edmundo, contratado pelo Santos ao Vasco, chegou ontem a São Paulo criticando o futebol carioca e alfinetando o desafeto Romário. ‘‘Eu era feliz e não sabia. O futebol paulista é infinitamente melhor do que no carioca. As coisas aqui são muito mais organizadas e vistas com mais seriedade’’, declarou Edmundo, em entrevista na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF).
A afirmação fez referência às passagens que o atacante teve pelo futebol paulista – no Palmeiras, de 1993 a 1995, mais bem-sucedida, e no Corinthians, em 1996, onde nada conquistou. Acompanhado do presidente do Santos, Marcelo Teixeira, Edmundo foi à FPF porque a entidade bancou 40% dos R$ 2 milhões que o Vasco recebeu pelo empréstimo de um ano.
Os salários do jogador, porém, serão pagos pelo clube litorâneo. Edmundo será o atleta mais bem remunerado do elenco santista, recebendo aproximadamente R$ 350 mil por mês, R$ 100 mil a menos do que ganhava no Vasco. A contratação revoltou alguns jogadores do Santos, que reclamaram que o clube está devendo salários – a diretoria nega.
Edmundo estava afastado do time carioca havia mais de um mês, por motivo de indisciplina. Mesmo assim, afirmou que foi ele quem quis sair do clube. Embora esteja há mais de um mês sem atuar, ele disse que está em boa forma física, já que estava treinando por conta própria. ‘‘Dentro de uma semana já estarei pronto para estrear’’, afirmou. O Santos faz sua estréia na Copa João Havelange amanhã à noite, contra o Vitória, na Vila Belmiro.
Questionado sobre sua conturbada relação com Romário no Vasco, disse que o colega era seu ídolo, mas o alfinetou: ‘‘Os espaços foram ficando pequenos para nós. Eu iniciei minha carreira nos juniores e fui subindo, conquistando no campo meus direitos’’.
Edmundo chegou ontem, às 19h30, na Vila Belmiro. Cerca de 2.000 pessoas acompanharam a apresentação do atacante, que vestia a camisa 7 e foi recebido no gramado do estádio pelo técnico Giba e por Rincón, capitão do time. A diretoria providenciou uma queima de fogos. Segundo o atleta, o desafio de tirar o Santos de um jejum de 16 anos sem vencer um título do Paulista será parecido com o que encontrou no Palmeiras, em 93. Na época, o time do Parque Antarctica estava sem títulos havia 17 anos. ‘‘Vim para ficar e ser campeão’’, declarou ele.

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