Edinho abandona o futebol e vai ser executivo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 29 (AE) - O goleiro Edinho abandonou hoje sua carreira no futebol, aos 28 anos. Ele anunciou a decisão numa entrevista coletiva à imprensa pela manhã, no Centro de Treinamento do Santos, e revelou que vai fazer cursos rápidos nas áreas de economia e administração de empresas para trabalhar com o pai, Édson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé.
Edinho contou que vinha discutindo sua decisão com Pelé, que tentava convencê-lo em permanecer jogando. "É uma coisa de pai coruja, que quer ver seu filho jogando, mas depois ele entendeu e me deu força", disse.
E Pelé confirma tudo: "Acho que é cedo para ele parar, mas tenho que respeitar sua decisão", comentou, lembrando que seu filho foi um vencedor. "O Edinho não teve uma formação como a de todos os garotos, que começam a jogar cedo; ele começou com 20 anos e, em pouco tempo, foi vice-campeão brasileiro e campeão da Conmebol".
Se dependesse da vontade de Pelé, Edinho continuaria jogando no Santos ou em algum outro clube. Ele revelou que o filho tinha oferta para jogar nos Estados Unidos, mas acabou decidindo por parar prematuramente. "Só posso esperar que ele faça como outros jogadores que anunciam que vão parar e acabam voltando".
EXECUTIVO - Essa opinião, porém, não prevaleceu. Depois de jogar 197 partidas como profissional do Santos, Portuguesa Santista, São Caetano e Ponte Preta, Edinho vai mesmo trocar o uniforme de goleiro por um terno bem cortado. Na entrevista que deu hoje, estava bem diferente do garoto que chegou à Vila Belmiro no começo da década para disputar uma vaga no gol, posição que seu pai havia se tornado carrasco, mais de mil gols marcados. Ele pensava que jogando ali atrás, teria mais condições de vencer, coisa que seria mais difícil nas outras dez posições do time. Era um desafio maior, que ele resolveu aceitar.
Em sua passagem pelo Santos, conseguiu estabelecer uma empatia maior com a torcida do que com os treinadores, que sempre optavam por um goleiro mais experiente e melhor tecnicamente. Mas mesmo Zetti já teve que ouvir muitas vezes o coro da torcida pedindo a entrada de Edinho logo depois de alguma falha.
Se Edinho não herdou a genialidade de Pelé, exibe sempre duas características muito parecidas com a do pai: a voz e a atenção para com os torcedores, especialmente as crianças. Nunca está sem tempo ou paciência para dar um autógrafo. Fatos como esse tornaram seus erros perdoáveis para a fanática torcida do Santos
que venera o Rei e respeita muito seu filho.
PLANOS - Edson Cholbi do Nascimento, o Edinho, completa 29 anos em agosto e começa a se preparar para a nova carreira. "Sou uma pessoa de muita sorte, pois posso mudar de profissão"
disse ele, anunciando que vai recuperar o tempo perdido fora da escola para fazer cursos rápidos de economia e administração de empresas para ajudar o pai nos negócios.
"O futebol consome todo seu tempo e não dá oportunidade para acumular funções", disse ele, ressaltando que sua decisão foi "de mente e de coração".
Além de se preparar para se transformar em um executivo, Edinho revela que pensa em ter filhos, "mas não para agora". Já começou a guardar suas histórias para os netos: a única mágoa foi não ter sido campeão em 95, ficando com o vice. "Ficou aquela sensação de que algo falhou e isso é frustrante". Vai conversar com eles principalmente sobre as alegrias que o futebol lhe proporcionou e continuará a torcer pelo Santos. Quando amigos convidarem para uma pelada, já sabe. Nada de ser goleiro. "Só vou jogar no ataque", comentou.


