Edinanci inicia luta por conquista no judô
Agência Folha
De Winnipeg, Canadá
A judoca meio-pesado Edinanci Silva disse que vai entrar no tatame de cabeça erguida, porque afirma não ter feito nada de errado - em maio, ela havia sido afastada da seleção, por indisciplina -, para tentar realizar seu sonho de ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Na estréia, hoje, em Winnipeg, ela pega a argentina Silvana Filippi, adversária que já conhece e já venceu. Treinei pouco para este Pan-Americano, por causa do problema da convocação, que veio atrasada. Na verdade, foram duas semanas de treino apenas, afirmou a lutadora meio-pesado (até 78 kg), que está com o cabelo tingido de amarelo.
Basta uma vitória hoje, e ela já vai ter a medalha de bronze garantida, porque a luta contra Filippi vale pelas quartas-de-final. A principal adversária da brasileira, a cubana Luna Castellares, estréia contra uma chilena. A chave tem ainda uma norte-americana, uma canadense e a dominicana. Edinanci foi afastada da seleção do Pan em maio, após desentendimento com o técnico Walter Carmona.
Apesar do afastamento, ela seguiu treinando, ganhou medalhas no Campeonato Sul-Americano, na Venezuela, e até voltou a conversar com o técnico sobre sua participação no Mundial da Inglaterra, em outubro próximo. Surpreendentemente, quando todos os problemas pareciam solucionados - a judoca até havia feito as pazes com o técnico -, a Confederação Brasileira de Judô, dirigida por Joaquim Mamede Jr., interveio na equipe. Reconvocou Edinanci e dispensou Bianca de Oliveira, que estava na vaga da categoria meio-pesado. Foi além, substituindo o técnico Carmona pela ex-judoca Solange Pessoa, que já integrava a comissão técnica.
Edinanci foi bronze no Mundial de 97, na França, e provocou muita polêmica na véspera da Olimpíada de Atlanta, quando, após sofrer cirurgia no aparelho genital, teve de se submeter ao teste de feminilidade. Nos Jogos Olímpicos, ficou em sétimo, mas saiu do tatame famosa.





