Quando Edílson deixou o gramado do Pacaembu, aos 42 minutos do segundo tempo, para dar lugar a Amaral, o torcedor corintiano, que praticamente lotou o estádio na noite de quarta-feira, delirou e gritou o nome do jogador em coro. Na decisiva partida contra o Grêmio, Edílson superou Marcelinho Carioca quanto ao carinho recebido pela torcida e marcou o gol da vitória. ‘‘Fico feliz por, nos momentos importantes, mostrar meu potencial’’, comentou o meia.
Decidir uma partida não é novidade para Edílson. No Campeonato Brasileiro do ano passado, foi ele quem brilhou também na hora mais necessária. O jogador, oportunista, marcou o único gol da vitória contra o Flamengo, no Morumbi, que ajudou a afastar o fantasma do rebaixamento. Edílson lembra ainda de um gol marcado contra a Portuguesa, neste Brasileiro. ‘‘Foi muito parecido com o que fiz contra o Grêmio’’, recorda o jogador. Um gol de oportunismo.
No Corinthians, Edílson aprendeu a enfrentar obstáculos. No primeiro semestre ficou doente, chegou a ser afastado por indisciplina pelo técnico Wanderley Luxemburgo, amargou o banco de reservas e quase teve o passe vendido. ‘‘Acho que, depois de tantas dificuldades, estou vivendo, agora, a melhor fase de minha vida’’, conta.
No dia 1º de novembro, Edílson teve uma forte contusão no tornozelo esquerdo, em uma partida contra o Vitória, em Salvador, pela penúltima rodada da fase de classificação. Ele ficou 22 dias afastado dos gramados. Voltou apenas contra o Grêmio anteontem. ‘‘Consegui suportar a falta de ritmo de jogo e ainda marquei o gol da vitória’’, comemora.
Com a torcida mais do nunca ao seu lado, o entusiasmo de Edílson segue crescendo. ‘‘Vamos devolver ao Santos a derrota que sofremos para eles na primeira fase’’, discursa, ao ser perguntado sobre o adversário da semifinal. O Santos derrotou o Corinthians por 2 a 0, há dois meses.
Preparação - Reuniões. Palestras. Psicologia. Motivação. Segundo o técnico Wanderley Luxemburgo, essa será a base da preparação do Corinthians para os jogos contra o Santos, que decidem uma vaga na final do Brasileiro. A estratégia, já usada exaustivamente para a partida de quarta-feira contra o Grêmio, é fundamental para jogos decisivos, na visão do treinador.
‘‘Em decisão, vale muito a parte psicológica e todos os aspectos periféricos que envolvem a partida’’, diz o treinador. ‘‘As reuniões são importantes porque, às vezes, você precisa mexer com a cabeça dos jogadores; sem reunião e diálogo, você não vai a lugar algum.’’
Luxemburgo faz questão de ministrar as palestras sozinho. A psicóloga Suzy Fleury, que faz o acompanhamento individual dos jogadores, fornece elementos para auxiliá-lo, como dados sobre os adversários e o provável clima da partida. ‘‘Temos procurado aproveitar ao máximo essa característica do Wanderley; o forte dele é o aspecto motivacional’’, afirma a psicóloga.

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