Agência Folha
De São Paulo
O técnico Wanderley Luxemburgo decidiu escalar o atacante Edílson, do Corinthians, no time titular para o jogo de amanhã, às 21h40, contra o Equador, no Morumbi, pelas Eliminatórias da Copa de 2002. O jogador começou o treino de ontem à tarde no time principal, fazendo dupla com Ronaldinho.
Até então, o mais provável era que o jogador do Grêmio tivesse a companhia de Elber (titular na estréia das eliminatórias) ou Amoroso, que jogou no time campeão da Copa América-99 e só saiu por contusão.
Edílson, cortado da seleção por Luxemburgo em 1999 por fazer embaixadas que irritaram os palmeirenses na final do Paulista, só voltou ao time contra a Colômbia, após o corte de Rivaldo. Em Bogotá, entrou no segundo tempo e teve uma atuação regular – ontem, foi um dos destaques do coletivo.
Receoso com o comportamento da torcida paulistana, Luxemburgo procurou agradá-la pela segunda vez. Anteontem, já escalara o palmeirense César Sampaio, convocado somente porque Emerson foi cortado, como titular.
Caso se confirme a escalação de Edílson, não há mais dúvidas sobre o time titular: Dida; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Vampeta, César Sampaio, Zé Roberto e Rivaldo; Ronaldinho e Edílson.
Ontem, os titulares venceram o coletivo por 3 a 1 (gols de Zé Roberto, Cafu e Rivaldo, com Elber descontando). O treino foi visto por cerca de 800 torcedores. Eles aplaudiram Edílson e Cafu e pediram as convocações de Romário e França. Hoje, às 17 horas, no Pacaembu, a seleção faz o seu último treino.
Luxemburgo não deu ouvidos ao técnico do São Paulo, Levir Culpi, que pediu que as grandes áreas do Morumbi fossem poupadas. Culpi, que já vetara os treinos da seleção no CT são-paulino, alegou querer preservar a grama. A seleção fez muitas jogadas ensaiadas em direção à área, ocupada por quase todos os 22 atletas (18 convocados e quatro juniores do São Paulo, que completaram o time reserva). ‘‘Ele queria que eu fizesse um bobinho no círculo central?’’, disse Luxemburgo.
Mesmo jogando contra o único país da América do Sul que nunca disputou uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada, a Seleção Brasileira evita falar em goleada na partida diante do Equador. Na escala do futebol sul-americano, o Equador só supera, tecnicamente, a Venezuela, a quem venceu, em casa, na rodada de abertura das eliminatórias. Os venezuelanos, porém, já sentiram o gosto de disputar, pelo menos, uma Olimpíada.
Além da falta de tradição, o futebol equatoriano vive um presente com resultados pífios. No Pré-Olímpico para Sydney-2000, disputado em Londrina e Cascavel no início do ano, a seleção do Equador não conquistou nenhum ponto, dividindo o último lugar da competição com a Bolívia.
Mesmo com esse cartel, o Equador assusta o Brasil. ‘‘Teoricamente, todos acham que o Brasil é o favorito. Mas, na prática, a coisa é diferente’’, afirma Wanderley Luxemburgo. Contra o Equador, o Brasil pode conquistar sua primeira vitória nas eliminatórias. Na sua estréia, contra a Colômbia, em Bogotá, o time de Wanderley Luxemburgo empatou em 0 a 0.

mockup