Edílson dá lugar a outro Ronaldinho
Rogério Fischer
O atacante Ronaldinho, do Grêmio Portoalegrense, é o novo integrante da Seleção Brasileira na Copa América. Ele vai substituir Edílson, do Corinthians, cortado pelo técnico Wanderley Luxemburgo (foto) pelo seu comportamento na decisão paulista contra o Palmeiras, domingo.
Ronaldinho foi convocado por Luxemburgo ainda no domingo, às 22 horas, no Hotel Bourbon, onde a delegação brasileira está concentrada. O atacante deveria chegar ao Aeroporto Internacional das Cataratas, em Foz do Iguaçu, ontem às 22h15, no vôo 160 da Varig, procedente de Porto Alegre.
Ontem pela manhã, no hotel da Seleção, Luxemburgo, em nova entrevista coletiva, disse ter ficado muito chateado com a atitude de Edílson na decisão de domingo - o Corinthians empatou com o Palmeiras em 2 a 2 e, como tinha a vantagem de três gols, conquistada na primeira partida, ficou com o título. Ele manchou a conquista do Corinthians, afirmou o treinador. Muitas coisas poderiam ter acontecido, dentro e fora de campo, devido àquela atitude.
Na metade do segundo tempo, logo depois de marcar o gol de empate do Corinthians, Edílson, sem marcação, fez embaixadas e tentou equilibrar a bola na nuca. Os jogadores palmeirenses - que precisavam marcar três gols de diferença para ganhar o título - sentiram-se provocados. O lateral Júnior provocou um esbarrão em Edílson e, na sequência, o corintiano foi chutado pelo atacante Paulo Nunes, revidou a agressão e, a partir daí, o que se viu no gramado do Morumbi foi uma briga generalizada entre atletas e membros das duas comissões técnicas. O árbitro Paulo César de Oliveira encerrou a partida aos 30 minutos, alegando falta de segurança.
Uma partida como aquela entre Palmeiras e Corinthians dá 40, 50 pontos de ibope, entra na casa de muitas pessoas. E aquelas cenas, com certeza, não entraram bem, disse o técnico da Seleção. Temos que coibir esse tipo de comportamento, prosseguiu Luxemburgo. Seleção é o top do top; aqui tem de ser exemplo de tudo.
Questionado sobre se a moda de comemorar gols mostrando camisetas por baixo dos uniformes, vestindo máscaras ou, como fizeram os palmeirenses, pintando os cabelos de verde não seriam também maneiras de provocar os adversários, Luxemburgo disse que cada fato deve ser tratado de uma forma. É preciso, sempre, equilíbrio emocional, afirmou o treinador. Se o time da Jamaica, por exemplo, entrar em campo cantando um rap, você vai agredi-los?, ele perguntou. Se o adversário está com o cabelo pintado de verde, por que considerar isso uma provocação?
Informado de que o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, havia declarado que jamais trabalharia com Edílson, por causa do que aconteceu no domingo, Wanderley Luxemburgo afirmou, primeiro, que não tem obrigação de comentar declarações do Felipão e, depois, disse que trata os casos com profissionalismo, sem radicalismo. Ele negou que, devido àqueles incidentes, vá adotar uma cartilha para os jogadores da Seleção. Cartilha é algo que soa muito mal, justificou o treinador. Não existe isso de cartilha; o que existe é profissionalismo, discernimento, seriedade.
Luxemburgo derramou elogios a Ronaldinho. É um atacante de muita velocidade e habilidade, que buscou seu espaço na Seleção, definiu ele. Foi artilheiro do Campeonato Gaúcho, tem passagens pelas categorias de base da Seleção, é uma grande promessa do futebol brasileiro.





