São Paulo, 14 (AE) - Conquistado o tão sonhado retorno à seleção brasileira, o próximo desafio do atacante Edílson é obter com a camisa amarela o mesmo reconhecimento que hoje ele desfruta no Corinthians. "No Corinthians, depois de muitas dificuldades, conquistei o meu espaço e hoje sou respeitado como jogador que decide nos momentos difíceis", disse o jogador, em Salvador. "Na seleção, eu também não quero ser mais um; sou um grande jogador, como Ronaldinho ou Amoroso, e vou brigar para ser titular", acrescentou.
Até hoje, Edílson não vingou na seleção. Foram três partidas discretas em 12 convocações e quase três anos de ausência. Nesta temporada, Edílson marcou 10 gols em 32 jogos pelo Corinthians e vem sendo o principal destaque da equipe. "Por tudo o que venho fazendo no Campeonato Paulista mereci a convocação; futebol é momento."
O craque chegou a duvidar que seria convocado por Wanderley Luxemburgo por ter tido antigos desentendimentos com o treinador. "O Wanderley provou que não guarda mágoa de ninguém; tanto que chegou a cogitar do Romário e do Edmundo."
As brigas com Luxemburgo vêm desde os tempos em que os dois conviviam no Palmeiras. "Naquela época, eu era jovem e imaturo e não sabia respeitar uma ordem tática", contou. No Corinthians, mais conflitos. "Tive um problema com um policial e o Wanderley queria que eu pedisse desculpas numa entrevista coletiva: não aceitei porque tinha razão no caso." Resultado: Edílson acabou afastado do time por um mês e teve o passe colocado à venda.
A reação só veio no Brasileiro de 98, quando reconquistou a posição de titular e foi um dos responsáveis pela conquista do título. "Foram tempos difíceis, mas a força que recebi dos companheiros, principalmente do Vampeta, me deu energia para dar a volta por cima", afirmou Edílson, referindo-se ao amigo.
Mesmo com todo o sucesso, Edílson permanece com o futuro indefinido. O passe pertence ao Banco Bilbao Vizcaya. "O banco quer vender o passe e o Corinthians ainda não decidiu comprar."
MENOS TENSÃO - Edílson e os demais jogadores corintianos ganharam o dia de folga após a vitória sobre o Palmeiras. Amanhã
ocorre a reapresentação e o grupo segue para Atibaia, onde ficará concentrado até domingo, dia do segundo jogo contra o Palmeiras. Oswaldo de Oliveira espera que lá o time consiga se afastar do clima do "já-ganhou".
O técnico espera também que a próxima partida seja menos tensa, com menos lances violentos. "Espero um espetáculo com as duas equipes só pensando em jogar." O técnico não condenou o volante Vampeta, que deu entrada violentíssima no palmeirense Rodrigo Taddei. "Quem conhece o Vampeta, sabe que ele não é capaz de machucar ninguém."

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