São Paulo, 06 (AE) - O Corinthians enfrenta uma crise a 20 dias da sua estréia na Libertadores da América. Depois do atraso do pagamento da premiação do título brasileiro, motivo de insatisfação entre todos os jogadores, Edílson, hoje, se rebelou contra os dirigentes. Exigindo R$ 1,3 milhão que o clube lhe deve, o jogador pediu para não participar do confronto com o Flamengo pelo Rio-São Paulo, neste domingo, 18h30, no Pacaembu. Foi o fim do sonho do técnico Oswaldo de Oliveira de contar com todos os seus titulares pela primeira vez desde que assumiu o comando do time, há um mês.
O problema é grave. Edílson perdeu a paciência e não acredita mais nas promessas dos dirigentes. "Só jogo quando receber o que me devem." A sua reação surpreendeu o técnico Oliveira no treino de hoje de manhã. Preocupado com a situação, o treinador espera por uma solução rápida porque os estilhaços da crise podem abreviar a sua passagem como herdeiro de Wanderley Luxemburgo no Parque São Jorge.
"Foi uma opção do jogador. Ele me disse que não tinha condições psicológicas para entrar em campo e não vai jogar. Esse problema tem de ser resolvido o mais rápido possível. Quando fizeram a proposta para que eu fosse o técnico do Corinthians era para dar continuidade ao trabalho do Luxemburgo. Só que não estou conseguindo. E não é por minha culpa. Temo que alguma coisa possa acontecer."
Problema particular - Os dirigentes garantiram que os problemas não são graves. Antes do treino de hoje, convocaram uma reunião com a Comissão Técnica para esclarecer as questões sobre atraso na premiação e pagamento das férias. "O Corinthians deve apenas a premiação do título brasileiro, que será paga segunda-feira. Não há salário atrasado e nenhuma pendência a não ser essa do Edílson", contou Luís Henrique de Menezes, diretor de Futebol. "Tudo está rigorosamente em dia aqui no clube." Menezes não aprovou a atitude de Edílson. "Ele é um profissional e deveria cumprir com o seu dever. Não gosto de fazer uma individualização sobre as reivindicações dos jogadores. O que posso garantir é que o Corinthians vai honrar todos os seus compromissos."
Dor de dente - Edílson não deu muita importância às explicações de Menezes. Enquanto seus companheiros, vestidos com o uniforme do clube, embarcavam hoje no ônibus que os levaria ao hotel da concentração, ele, de jeans, camiseta e boné pretos entrava apressado na sua Mercedes prata. "Estou com dor de dente, estou com pressa. Não vou jogar enquanto não resolverem a questão."
A questão a que Edílson se refere é a dívida de R$ 1,3 milhão, correspondente às luvas da sua transferência do Kashiwa Reysol, em 97, que o Corinthians ainda não quitou. O seu passe foi comprado pelo Banco Excel. Na transação, o banco teria se comprometido a pagar as luvas. Quando o Excel deixou o Corinthians, em meados de 98, o banco transferiu a dívida com o jogador para o clube. Edílson concordou com o negócio confiando que receberia o dinheiro do Corinthians depois do Campeonato Brasileiro.
O problema é que o clube ficou sem caixa e ainda não honrou o seu compromisso. Hoje, o atacante resolveu entrar em "greve".
O substituto de Edílson no jogo de amanhã ainda não foi definido, mas o técnico Oswaldo de Oliveira admite escalar Edu ou Éwerton.

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