Ederson, o sucessor de Juninho no Lyon
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Martin Fernandez<br> Agência Estado 
São Paulo - Sem alarde, o paulista Ederson Honorato Campos, 23 anos, dá sinais de que vai conseguir a façanha de se tornar o sucessor de Juninho Pernambucano no Lyon. O meia, revelado pelo RS Futebol (clube gaúcho comandando por Paulo César Carpegiani) e com discreta passagem pelo Juventude, se transferiu para o futebol francês aos 18 anos. Ralou durante quatro temporadas no modesto Nice e atraiu a atenção dos grandes clubes europeus.
Entre sondagens do inglês Manchester United e do espanhol Real Madrid, o garoto escolheu o Lyon, de Juninho Pernambucano. Em menos de uma temporada no heptacampeão francês, Ederson passou a ser visto como o sucessor natural de seu compatriota. Ele aceita a responsabilidade e pede mais: quer chamar a atenção de Dunga e cavar uma vaga na seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2010.
Agência Estado - Você é o sucessor do Juninho Pernambucano?
Ederson - A imprensa daqui, com a minha chegada ao Lyon, começou a colocar a situação dessa maneira. É um grande prazer para mim ser comparado a ele, poder jogar ao lado dele. Mas eu ainda tenho muito a aprender.
AE - Como ele reage às comparações?
Ederson - Nunca conversamos sobre isso. Ele é muito gente boa, me ajudou muito quando cheguei. É o cara que dá exemplo a todos, tanto dentro quanto fora de campo.
AE - Para o torcedor brasileiro que não te conhece, como você define seu estilo?
Ederson - Eu comecei como centroavante, gostava de fazer gols. Com 16 anos, já atuava entre os profissionais, mas ainda não tinha desenvolvido o porte físico. Por isso, os técnicos me colocaram mais para trás, armando o jogo. Hoje eu sou meia, mas com bastante chegada ao ataque.
AE - Se você é paulista, por que, então, começou a carreira no Rio Grande do Sul?
Ederson - Eu jogava por um time de Marília, que viajava muito. Com 15 anos, um olheiro do Carpegiani me convidou para jogar no RS. Meus pais foram até Porto Alegre, conheceram a estrutura, se certificaram de que eu continuaria estudando e me deixaram ir.
AE - E depois?
Ederson - Passei três anos no RS, me destaquei e cheguei à seleção Sub-17. Tive uma breve passagem pelo Inter, mas não deu certo por causa de uma contusão. Passei alguns meses no Juventude e depois teve a proposta do Nice, da França. Não pensei duas vezes e fui embora.
AE - Depois de ter jogado na seleção Sub-17, ter ido para um time pequeno da França não foi ruim?
Ederson - Não me arrependo. Mesmo numa equipe modesta, foi bom. O Campeonato Francês é disputado e eu consegui me destacar. Financeiramente nem foi tão bom, mas aprendi outra cultura, cresci na profissão. Era o único brasileiro no time. Aprendi o francês.
AE - Você teve propostas de outros clubes. Por que escolheu o Lyon?
Ederson - Eu ouvi falar de Real Madrid, Manchester United, mas só o que chegou de concreto foi uma proposta da Lazio (Itália). Escolhi o Lyon porque eles apostavam muito em mim. O Juninho me telefonou, contando dos planos que o clube tinha para mim. Ele influenciou na minha decisão.
AE - Por que o Lyon ganha tudo?
Ederson - Porque é o time que mais investe. Sempre que algum jogador importante sai, eles contratam alguém do mesmo nível.
AE - Você fica ansioso nas vésperas de uma convocação do Dunga?
Ederson - Eu sei que a seleção está muito bem servida e sei que não é fácil para o técnico dar a primeira oportunidade para alguém. Mas eu trabalho pensando nisso.
AE - Voltaria a jogar no Brasil?
Ederson - Pode ser, mas quero ficar mais tempo na Europa.


