São Paulo - Sem alarde, o paulista Ederson Honorato Campos, 23 anos, dá sinais de que vai conseguir a façanha de se tornar o sucessor de Juninho Pernambucano no Lyon. O meia, revelado pelo RS Futebol (clube gaúcho comandando por Paulo César Carpegiani) e com discreta passagem pelo Juventude, se transferiu para o futebol francês aos 18 anos. Ralou durante quatro temporadas no modesto Nice e atraiu a atenção dos grandes clubes europeus.
Entre sondagens do inglês Manchester United e do espanhol Real Madrid, o garoto escolheu o Lyon, de Juninho Pernambucano. Em menos de uma temporada no heptacampeão francês, Ederson passou a ser visto como o sucessor natural de seu compatriota. Ele aceita a responsabilidade e pede mais: quer chamar a atenção de Dunga e cavar uma vaga na Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2010.
Agência Estado - Você é o sucessor do Juninho Pernambucano?
Ederson - A imprensa daqui, com a minha chegada ao Lyon, começou a colocar a situação dessa maneira. É um grande prazer para mim ser comparado a ele, poder jogar ao lado dele. Mas eu ainda tenho muito a aprender.
Como ele reage às comparações?
Nunca conversamos sobre isso. Ele é muito gente boa, me ajudou muito quando cheguei. É o cara que dá exemplo a todos, tanto dentro quanto fora de campo.

Para o torcedor brasileiro que não te conhece, como você define seu estilo?
Eu comecei como centroavante, gostava de fazer gols. Com 16 anos, já atuava entre os profissionais, mas ainda não tinha desenvolvido o porte físico. Por isso, os técnicos me colocaram mais para trás, armando o jogo. Hoje eu sou meia, mas com bastante chegada ao ataque.

Se você é paulista, por que, então, começou a carreira no Rio Grande do Sul?
Eu jogava por um time de Marília, que viajava muito. Com 15 anos, um olheiro do Carpegiani me convidou para jogar no RS. Meus pais foram até Porto Alegre, conheceram a estrutura, se certificaram de que eu continuaria estudando e me deixaram ir.
E depois?
Passei três anos no RS, me destaquei e cheguei à seleção Sub-17. Tive uma breve passagem pelo
Inter, mas não deu certo por causa de uma contusão. Passei alguns meses no Juventude e depois teve a proposta do Nice, da França. Não pensei duas vezes e fui embora.

Depois de ter jogado na seleção Sub-17, ter ido para um time pequeno da França não foi ruim?
Não me arrependo. Mesmo numa equipe modesta, foi bom. O Campeonato Francês é disputado e eu consegui me destacar. Financeiramente nem foi tão bom, mas aprendi outra cultura, cresci na profissão. Era o único brasileiro no time. Aprendi o francês.

Você teve propostas de outros clubes. Por que escolheu o Lyon?
Eu ouvi falar de Real Madrid, Manchester United, mas só o que chegou de concreto foi uma proposta da Lazio (Itália). Escolhi o Lyon porque eles apostavam muito em mim. O Juninho me telefonou, contando dos planos que o clube tinha para mim. Ele influenciou na minha decisão.
Por que o Lyon ganha tudo?
Porque é o time que mais investe. Sempre que algum jogador importante sai, eles contratam alguém do mesmo nível.

Você fica ansioso nas vésperas de uma convocação do Dunga?
Eu sei que a Seleção está muito bem servida e sei que não é fácil para o técnico dar a primeira oportunidade para alguém. Mas eu trabalho pensando nisso.

Voltaria a jogar no Brasil?
Pode ser, mas quero ficar mais tempo na Europa.

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