São Paulo, 27 (AE) - Seguir os passos do norte-americano Oscar De La Hoya, ex-campeão dos superpenas, leves, meio-médios-ligeiros e atual dono do cinturão pela categoria dos meio-médios. Esta é a sugestão dos especialistas brasileiros em boxe para o peso superpena Acelino Popó Freitas, que dia 7 conquistou o título mundial pela Organização Mundial de Boxe (OMB). Popó obteve o 21.º nocaute, o 12.º no primeiro assalto, em 21 lutas como profissional, ao bater Anatoly Alexandrov, do Casaquistão, na França.
"Popó não pode desperdiçar seu talento, atuando pela OMB", disse o jornalista Newton Campos, que também ocupa o cargo de vice-presidente vitalício do Conselho Mundial de Boxe (CMB).
No cenário internacional o CMB é a principal entidade, seguido pela Associação Mundial de Boxe (AMB) e Federação Internacional de Boxe (FIB). Os três organismos fizeram um acordo há dois anos
no qual se dá preferência aos combates por unificação dos títulos. Portanto, a OMB, que não possui representatividade nos Estados Unidos, centro mundial do pugilismo, fica fora desses eventos.
"De La Hoya foi campeão da mesma categoria do Popó, mas logo depois abdicou do título para lutar pelas principais organizações, que lhe garantiram melhores condições profissionais e financeiras", disse Éder Jofre, maior boxeador brasileiro de todos os tempos.
Campeão dos galos (1960 a 1965) e dos penas (1973), diz que Popó tem todas as condições de lutar contra os melhores do mundo. "Ele está numa fase de encarar grandes desafios; não pode enfrentar apenas lutadores medianos."
"Popó é um lutador extraordinário", diz Newton. "Fora da OMB, ele seria ranqueado entre os cinco primeiros do CMB, AMB e FIB; poderia lutar por um título mundial verdadeiro em um ano", continuou. "Ele possui a maior pegada da categoria; sua força é de meio-médio (três categorias acima dos superpenas); ele não pode enfrentar galinhas mortas da OMB", disse o dirigente/jornalista.
Newton aponta o mexicano Genaro Hernandez e o norte-americano Tracy Patterson como bons adversários para Popó no futuro. "Os dois foram campeões, já não estão em grande forma e poderiam servir de alavanca para impulsionar ainda mais a carreira."
Heresia - Comparar Popó a Éder Jofre e Miguel de Oliveira (campeão em 1975) soa como uma heresia. "Éder foi um campeão absoluto", disse Newton. "Popó pode vir a ser, mas ainda não é; ele divide um título."
"Chegar perto de mim? É só ele pegar um avião e vir para São Paulo", brincou Éder, o Galo de Ouro.
Futuro - Popó deve defender o título da OMB no segundo semestre, provavelmente, em Salvador, no Estádio da Fonte Nova. É possível que uma revanche seja concedida a Alexandrov. Ainda pela OMB.

mockup