Eddie Jordan faz um alerta sobre a venda da Stewart para a Ford
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Livio Oricchio 
Montreal, 11 (AE) - Enquanto Jackie Stewart e Frank Williams davam entrevistas, sexta-feira em Montreal, defendendo a tese de que o futuro da Fórmula 1 acha-se no caminho escolhido pela Stewart e a Ford, o irlandês Eddie Jordan, proprietário único da equipe Jordan, fazia um alerta: "Se não existir nenhuma obrigação de essas empresas, novas proprietárias, terem de devolver as escuderias a seus ex-donos, caso decidam abandonar a Fórmula 1, a própria sobrevivência do campeonato sofre alguns riscos." A Ford comprou a Stewart.
A preocupação com a inconstância dos grandes fabricantes de automóveis é tão antiga quanto o próprio Mundial. Organizações como as que foram de Ken Tyrrell, Jack Brabham, Colin Chapman (Lotus), John Surtees, dentre tantas outras, viviam da própria Fórmula 1. Seus proprietários, em geral ex-pilotos ou idealistas
não dependiam do apoio dos grupos industriais para sobreviver. Pode-se dizer que tanto Ken Tyrrell, quanto Jack Brabham, Colin Chapman e John Surtees eram os verdadeiros profissionais da Fórmula 1. Com crise ou sem crise econômica, eles estavam quase sempre lá, alguns com mais, outros com menos recursos. Mais recentemente surgiu um nova geração desses homens obstinados a montar uma equipe própria na mais desafiante competição do automobilismo: Ron Dennis (McLaren), o próprio Frank Williams, Luciano Benetton, Giancarlo Minardi, Eddie Jordan, Peter Sauber e Alain Prost, dentre outros. Nenhuma dessas organizações nasceu representando indústrias de automóvel. A associação com elas é recente e passa pela necessidade de contar com sua estrutura técnica e disponibilidade financeira para vencer na Fórmula 1.
A história do Mundial mostra que empresas como a Mercedes, Honda, BMW, Renault, Porsche, há outras, entram e saem da Fórmula 1 de acordo com suas conveniências de marketing. Elas não dependem dessa competição para sobreviver. É diferente dos chamados profissionais da Fórmula 1, representados no passado por gente como Ken Tyrrell e hoje por Dennis, Williams, Benetton etc. Enquanto os grandes grupos industriais sobreviverão e, na maior parte das vezes, muito bem, depois de decidirem que Fórmula 1 já lhes deu o que buscavam, os profissionais desse esporte não questionam seu futuro. Buscam a qualquer custo proverem-se das necessidades para continuar sua trajetória e, se possível, com sucesso.
O alerta de Eddie Jordan é mesmo oportuno. O que acontecerá com a Fórmula 1 se novas empresas automobilísticas adquirirem mais equipes, como parece ser mesmo a tendência, e depois de algumas temporadas vencendo decidir que estrategicamente seria um erro permanecer na competição? Há uma diferença sutil entre o sucesso dos profissionais e o desses grupos.
Enquanto para o primeiro ele significa melhores contratos de patrocínio, maiores investimentos na área técnica, humana, melhores possibilidades de permanecer vencendo, portanto, para o segundo trata-se, na maioria dos casos, do início do planejamento de uma retirada por cima. E se hoje essas empresas deixam a Fórmula 1, os profissionais "adquiridos" por eles se vão também, daí Eddie Jordan citar o risco de sobrevivência da competição.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) talvez tenha de regulamentar essas negociações. Saudáveis do ponto de vista que tornarão as organizações bastante fortes, mas preocupantes porque podem vir a extinguir quem fez e faz a história da Fórmula 1.


