Agência Estado
De Spielberg, Áustria
E não é que o norte-irlandês Eddie Irvine cumpriu a promessa: o agora piloto número 1 da Ferrari venceu ontem, em Spielberg, o GP da Áustria, nona etapa do campeonato. É certo também que sua equipe contou com um terceiro piloto, David Coulthard, que colocou Mika Hakkinen, seu companheiro na McLaren, para fora da pista.
Mas a superioridade do seu equipamento era tal que os dois acabaram ainda em segundo e terceiro. Irvine ficou a dois pontos de Hakkinen na classificação do Mundial: 44 a 42. A luta pelo título, agora sem a presença de Michael Schumacher, está abertíssima.
Pela forma como Hakkinen se recuperou, da 22ª colocação, ao final da primeira volta, ao terceiro lugar na bandeirada, 70 voltas mais tarde, ficou claro que se Coulthard não o tivesse tocado por trás, na curva 2, ainda na primeira volta, ele terminaria a prova com enorme vantagem para os demais.
O piloto escocês trabalhou para a Ferrari com eficiência. E Irvine não jogou fora a chance, mesmo dispondo de um equipamento pelo menos meio segundo mais lento por volta que o da McLaren.
‘‘Fumaça do meu carro nas voltas finais? Deve ter sido do meu cérebro, porque estava pensando em tanta coisa naquela hora’’, disse Irvine. Coulthard, em segundo, o pressionava para tentar vencer. ‘‘Agora eu entendo o que sente Michael (Schumacher), as pessoas sempre esperam que você corresponda a tudo.’’
A vitória na abertura da temporada, na Austrália, a primeira da carreira, foi fácil. ‘‘Duro foi ganhar esta aqui’’, revelou. Como Irvine fez seu pit stop apenas na 44ª volta, um dos últimos a parar, sua Ferrari tinha grande quantidade de gasolina no início. ‘‘Esta é também a razão de eu não poder atacar Barrichello.’’ Rubinho realizava excelente prova, mantendo-se na segunda colocação, atrás de Coulthard e na frente de Irvine.
O segundo lance decisivo na conquista de Irvine, ontem, ocorreu entre as voltas 39, a do pit stop de Coulthard, e a 44ª, a da parada do norte-irlandês. O piloto da McLaren conseguiu perder uma vantagem de 9.8 segundos para Irvine, de forma que quando este voltou para a pista já estava na frente de Coulthard. ‘‘Eu sabia que iria sair dos boxes na frente dele.’’
Suas três ultimas voltas antes de fazer o pit stop foram sensacionais, a ponto de na 43ª estabelecer o seu melhor tempo na competição, 1min12s787, terceiro mais rápido da prova. Coulthard, em compensação, registrou voltas bem mais lentas.
Mesmo com a sua McLaren transportando mais gasolina, já que havia parado na 39ª volta, Coulthard, como sempre, não demonstrou a agressividade necessária ao momento. - Depois de ficar a mais de um segundo de Hakkinen na classificação para o grid, sábado, nem a própria equipe Ferrari poderia supor que daria para sair da Áustria com uma vitória. ‘‘Nosso objetivo aqui será somar pontos’, afirmou Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, sábado, depois de assistir ao desastre de seu time. Todt não fala com Irvine.
Ontem, na premiação do pódio, a figura sempre presente do baixinho francês foi substituída pela do grandalhão engenheiro inglês Ross Brawn, mentor da estratégia de estender a permanência de Irvine na pista.
Enquanto todos os mais de 60 integrantes da Ferrari gritavam ‘‘Eddie, Eddie’’, cerca de meia hora depois da festa no pódio, enquanto posavam para uma fotografia, Todt se limitou a estender a mão e, bem friamente, cumprimentar seu piloto.
Irvine não fez nenhum menção às declarações da semana passada, quando afirmou que agora, como número um da Ferrari, lutaria pelo título com Hakkinen e, quando Schumacher voltasse, teria de trabalhar para ele, como fez durante mais de três anos para o alemão. Ele foi criticado publicamente por Todt. Havia em Irvine, ontem, um sentimento claro do tipo ‘‘respondi da melhor forma possível.’’ Barrichello abandonou com problemas de motor na 55ª volta, na quarta colocação. O alemão Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, somou mais três pontos com o quarto lugar de hoje e chegou a 29 pontos, apenas três a menos que Schumacher, terceiro no campeonato. O austríaco Alexander Wurz, Benetton, foi quinto, e Pedro Paulo Diniz, da Sauber, realizou mais um excelente trabalho ao classificar-se em sexto, depois de largar em 16º. A próxima etapa da temporada será domingo, na Alemanha, no mais veloz circuito do calendário: Hockenheim.

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