Ferrari tenta um título que não consegue há 20 anos. Mika Hakkinen, da McLaren, é o maior obstáculo
France PressePARA A HISTÓRIAO extrovertido Irvine pode quebrar ‘jejum’ de 20 anos da FerrariFrance PresseMAIS UM TÍTULOSempre concentrado, Hakkinen está atrás do bicampeonato mundial Não poderia ser diferente: Eddie Irvine e Michael Schumacher terão de dar muito duro mesmo, na madrugada deste domingo, para vencer Mika Hakkinen e a McLaren em Suzuka, a fim de conquistar para a Ferrari o título tão desejado há 20 anos. A corrida é a última da temporada e do milênio. A TV Globo transmite as emocionantes e decisivas 51 voltas do GP do Japão, ao vivo, a partir das 3 horas.
Depois de a equipe italiana dominar o GP da Malásia e Irvine abrir preciosos quatro pontos na classificação (70 a 66), com certeza o norte-irlandês não imaginou que Hakkinen e a McLaren seriam tão velozes em Suzuka, a ponto de colocar em dúvida uma vitória final que parecia iminente. Irvine, Schumacher, Todt, toda a escuderia de Maranello já percebeu: para levar os italianos à loucura, com a conquista do título, não será nada fácil. Mas se ela ocorrer, os desdobramentos para a F-1 como um todo serão evidentes.
Muita gente aposta num aumento do já enorme interesse pelo campeonato. Nos treinos livresde ontem, sob condições semelhantes à da prova, Hakkinen foi cerca de meio segundo mais veloz que Schumacher. ‘‘Eu já esperava não ser muito competitivo aqui’’, disse o alemão, sem parecer estar escondendo o jogo. Como na corrida de Kuala Lumpur, Schumacher terá uma importância decisiva na estratégia da Ferrari.
Hakkinen apenas confirmou o que já dissera na véspera: ‘‘Minha única alternativa aqui é atacar, atacar, atacar.’’ Só a vitória lhe dá o bicampeonato. A segunda e a terceira colocações condicionam sua conquista à classificação de Irvine. A 50ª edição do Mundial acaba na madrugada, mas a Fórmula 1 já discute sua administração no próximo milênio, quando Bernie Ecclestone terá sócios para dividir não só os lucros milionários, mas a responsabilidade das decisões.
A gerência em grupo do Mundial deverá estabelecer, a curto prazo, uma nova filosofia de exploração do evento. A F-1 está próxima de ter ações na bolsa e a credibilidade do esporte será decisiva para o seu sucesso como empresa de capital aberto. A corrida de Suzuka começa também com uma declaração surpreendente de Schumacher. Para ele, Irvine e Hakkinen não merecem ser campeões. ‘‘Heinz-Harald Frentzen (um antigo desafeto) e meu irmão (Ralf, da Williams) foram os melhores do ano’’, afirmou para o alemães.
Dois pilotos, Damon Hill, da Jordan, e Olivier Panis, Prost, deixam a F-1 em Suzuka para dar lugar a uma nova geração que se aproxima, onde a figura principal é o pequeno alemão Nick Heidfeld, tido como novo superpiloto, contratado pela Prost. Com ele, o país de Schumacher passará a contar com quatro representantes de peso na competição, além de hoje ser a nação com maiores investimentos empresarias no Mundial.
O GP do Japão encerra também, com muita probabilidade, a fase mais difícil no Brasil na F-1, o período sem resultados que se seguiu ao choque da morte de Ayrton Senna, em 1994. A partir da próxima temporada, Rubens Barrichello será companheiro de equipe de Schumacher na Ferrari. ‘‘Se eu não ganhar corrida nessa equipe, então nunca mais vencerei nada’’ é o desafio que colocou para si próprio.

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