Economista quer fórum sobre empresas no futebol
você inviabiliza a parceria de outros clubes e tende a levar o futebol brasileiro a uma situação de aniquilamento", observa. Ela cita apenas cinco clubes viáveis hoje por causa dos investimentos externos: Corinthians, Vasco, Juventude, Palmeiras e inclui também o Flamengo, a poucos dias de fechar acordo com uma empresa suíça. Acrescenta na lista desses clubes privilegiados o São Paulo, "por ter uma autogestão razoável". "Mas, o que se vislumbra para os outros?", indaga. Ela atribui a resistência a múltiplas parcerias à "emocionalização" de um discurso que apregoa o unilateral e questiona a intenção de impor limites aos investidores. "As grandes empresas podem ter jogadores em vários clubes, mas estão praticamente sendo impedidas de se associar a mais de um clube, não é incoerente?" De acordo com a consultora, "não há milagre financeiro para o futebol se o mercado for fechado e limitado". Para Landau, também ex-diretora do banco Opportunity, a Lei Pelé abriu um movimento de profissionalização dos clubes que está inserido na modernização do País e não pode ser "desconsiderada
principalmente quando trata do clube-empresa". Ela lembra que não existem muitos investidores dispostos a aplicar dinheiro no Brasil e admite que alguns poderão se afugentar se houver obstáculos. "Não é o momento de restringir, é o de estimular; vivemos uma transição", diz. No Atlético, onde atua há três meses, sua função é a de atrair investidores para o clube. Mas ela esbarra com uma dificuldade, inerente a quase todos os grandes clubes fora do eixo Rio-São Paulo. "Falta visibilidade, é importante a exposição desses clubes na mídia, mas muitos deles só conseguem isso durante o Campeonato Brasileiro."Por Silvio Barsetti Rio de Janeiro, 05 (AE) - A ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e atual consultora financeira do Atlético Mineiro, Elena Landau, defende a criação de um fórum para uma ampla discussão sobre a limitação dos investidores nos clubes de futebol, proposta que vem sendo estudada pelo Ministério do Turismo e dos Esportes. Ela contesta a suposição de que poderia haver manipulação de resultados quando dois clubes, eventualmente patrocinados por uma mesma empresa, estivessem envolvidos numa disputa. "Aquele que tenha interesse em mais de um clube, vai querer valorizar o capital investido, sem privilegiar uma das partes." Segundo ela, o investidor tem de ter o seu interesse respeitado se quiser injetar dinheiro em mais de um clube. "Caso contrário





