Ecclestone prepara sua saída da F-1
de comercializar 50% da empresa que, em conjunto com suas subsidiárias, gerenciam o milionário Mundial da F-1. Pelos 12,5%
o Morgan Grenfell pagou U$325 milhões, o que significa que a FOA vale a impressionante quantia de U$ 2,6 bilhões. Com a iniciativa, Ecclestone deu um passou importante no sentido de lançar ações da F-1 na Bolsa de Valores de Londres, num prazo de dois anos, quando o Morgan deverá então ser sócio de 50% da FOA. Na sua primeira tentativa de tornar o capital da F-1 aberto, este ano, Ecclestone encontrou dificuldades. A Comissão Européia (CE) o acusou, bem como a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), de as duas partes manterem o monopólio da exploração da F-1. A entidade questionou a legalidade dos contratos entre ambos, já que apenas as empresas de Ecclestone podiam promover o evento. A CE defende que a FIA abra a concorrência a outros grupos. A acusação lançou água fria nos investidores e Ecclestone não teve como levar adiante o projeto de lançar a F-1 na Bolsa. Com a sociedade estabelecida com o Deutsche Bank, as requisições da CE passam a ser atendidas e Ecclestone ganhou um sócio que, além de sólidos recursos financeiros, conta com a confiança do mercado, essencial para atrair investidores para a bolsa. Aos 67 anos, muito rico, o inglês Bernard Charles Ecclestone dá sinais também de estar preparando, sempre com competência extrema, o futuro da F-1 sem a sua presença. "Empresas como o Deutsche Bank dão credibilidade a quem deseja investir na F-1 adquirindo ações. Com mais dinheiro para promover o Mundial, ele deverá crescer ainda mais", afirma o dirigente de um dos times da competição, sem desejar se identificar. Jackie Stewart também vê com bons olhos a iniciativa, mas pede clareza: "Precisamos conhecer mais detalhes do negócio, afinal nós investimos muito dinheiro na F-1 e a estão vendendo." É nítida a preocupação de diretores das equipes em não se pronunciar até que saibam o que, na realidade, foi tratado com o Deutsche Bank. "Mais bem promovido, com o dinheiro dos investidores, quando o capital for aberto, a audiência cresce ainda mais e os valores de todos os negócios também", diz uma fonte. "Os direitos de TV tornam-se mais caros, os patrocinadores passam a investir mais e novos grupos industriais são atraídos para a F-1." O coordenador da Comissão Esporte-Motor da Petrobras, Claudio Thompson, fornecedora de combustível e patrocinadora da Williams
fala da notícia: "É mais fácil o conselho administrativo de uma empresa decidir-se por um investimento num evento gerido por um grupo sólido do que quando ele é administrado por uma pessoa só." Essa talvez seja a grande mudança por que passará a F-1: as decisões sobre os rumos do Mundial serão tomadas em grupo, a fim de atender os interesse e a imagem de todos os sócios. A F-1 vai ganhar como esporte, não há dúvida.Por Livio Oricchio Suzuka, 30 (AE) - Quando Scott Lanphere, diretor do Morgan Grenfell Private Equity, braço de investimento do Deutsche Bank, assinou semana passada, em Londres, a aquisição de 12,5% da Formula One Administration, empresa de Bernie Ecclestone, a Fórmula 1 deu início a uma nova era da sua existência: a administração em sociedade, com possíveis desdobramentos, a médio prazo, na condução do esporte. A F-1 aceitou bem a notícia. O negócio faz parte dos planos de Ecclestone, promotor do evento





